Entrevista: De frente com Cacá Bueno o campeão da "Stock Car 2006"

William Zacariotto- zacariotto@hotmail.com



Carlos Eduardo Santos Galvão Bueno Filho, mais conhecido como Cacá Bueno, Paulista, 30 anos, 1,82cm de altura, estreou na Copa Nextel Stock Car em 2002, ano no qual recebeu o troféu de Novato do Ano. Foi duas vezes vice-campeão e, finalmente em 2006, sagrou-se campeão da principal categoria do automobilismo nacional. Cacá atualmente disputa a Copa Nextel Stock Car, a TC 2000 e Nascar.


William: Namora? É Casado? Se sim, como você faz para controlar a tietagem sem se ferrar com a sua companheira?
Cacá: R: Sou solteiro, mas na época que eu era casado era mais fácil controlar o assédio porque minha mulher sempre me acompanhava nas corridas. A tietagem era muito menor do que hoje em dia, que sou solteiro e já não tenho tanta preocupação em controlar isto. Acho que até faz bem para o ego.

William: Todo mundo sabe que você é filho do Galvão Bueno, nesse quesito, ser "filho do Galvão" ajuda ou atrapalha?

Cacá: No começo é inegável que pode ter ajudado um pouco na facilidade de conseguir uma ajuda de patrocínio para continuar dentro do automobilismo. Mas quem não conquista títulos e não anda bem não se firma no esporte. Depois ser filho de alguém conhecido acaba atrapalhando um pouco, pois as cobranças são bem maiores. Principalmente depois da minha ida para Argentina eu esqueci um pouco isto, já que lá ninguém sabe o nome do meu pai. Lá eu vi que posso fazer sucesso no automobilismo sem o sobrenome. Hoje na verdade acho que nem me ajuda e nem atrapalha.

William: Em algumas provas no ano passado, você foi ovacionado, em outras vaiado pela arquibancada, como você explica isso?
Cacá: Explico pelo crescimento da Stock Car, que passou a ser um esporte mais popular do que era antigamente. Antes as pessoas iam assistir a uma corrida sem formar uma torcida clara e quando a coisa vai se tornando mais popular o público vai se posicionando. Isto depende muito do lugar onde acontece a corrida. Acho que é a mesma coisa de um jogador de futebol.

William: Tem alguém que anda na frente do Cacá Bueno?
Cacá: Sim, a gente sempre está aprendendo no automobilismo. Fazemos um trabalho para ganhar, mas nem sempre é possível. Tem dias que outros pilotos e equipes estão em momentos melhores.

William: Quando e como você iniciou a sua carreira como piloto?
Cacá: Comecei na última etapa de 1988 do campeonato de kart no Rio de Janeiro. Eu já tinha um gosto pelo esporte mas ainda era uma brincadeira. Gostei da adrenalina, da velocidade e já subi no pódio na minha primeira corrida, mas não no lugar mais alto. Depois disso comecei a ter a ambição de querer ganhar.

William:Qual é a emoção de pilotar um carro a mais de 200 km/h ?
Cacá: Num primeiro momento tem adrenalina, tem emoção, mas depois passa a ser um prazer viver profissionalmente do seu esporte. Você acaba acostumando com a velocidade. Andar hoje a 200 km/h não aquela adrenalina toda como é para uma pessoa que pela primeira vez está atingindo esta velocidade. A gente acaba acostumando com isto, e o prazer hoje é a gente poder viver profissionalmente do nosso esporte no Brasil e não ter que correr fora como acontecia no passado. Acho que a emoção da velocidade é até menor que a emoção de controlar o carro em pistas técnicas.

William: Você esteve perto de ganhar o titulo duas vezes, e a merecida conquista somente veio em 2006, qual foi essa sensação nos três anos:
Cacá: Foram sensações diferentes. Em 2003 eu fui vice-campeão num campeonato praticamente perdido. Ou seja, o vice foi um lucro porque no meio do campeonato eu estava em décimo, a 60 pontos do líder, e recuperei muitos pontos no final do ano mas não foi o bastante para ganhar o título. Por isso foi um vice-campeonato com sabor de vitória. Em 2004 foi um campeonato muito acirrado com o Giuliano Losacco onde tivemos uma decisão polêmica sobre desclassificação em Curitiba e passamos praticamente toda temporada tentando recuperar esta diferença e não consegui ganhar. Ficou com sabor de que poderíamos ter ganho mas saímos contentes do campeonato. Já em 2005 ficou uma sensação de derrota, porque a gente liderou o ano inteiro, chegou a ter uma diferença muito grande dos outros pilotos, mas por alguns problemas perdemos por apenas um ponto. Este foi um dos motivos que me levou a buscar uma nova equipe no ano seguinte. Recomecei tudo, e aí sim em 2006 veio título pois fizemos um belo trabalho o ano todo. No começo da temporada ganhamos quatro das cinco primeiras etapas e só tivemos que administrar esta diferença.


William: Você é somente piloto ou desenvolve outra atividade ?
Cacá: Não. Hoje sou piloto profissional. Há algum tempo os pilotos que corriam no brasileiros tinham que ter uma atividade paralela e hoje não. A maioria dos pilotos da Copa Nextel Stock Car são profissionais e dedicam 100% de seu tempo ao automobilismo.

William: Quais são as maiores dificuldades que você encontrou correndo na Copa Nextel Stock Car?
Cacá: A dificuldade é o altíssimo nível de pilotos que estão presentes na Stock Car. O nível está cada vez mais alto, com pilotos de qualidade maior, e o equilíbrio é muito grande. Temos 30 carros largando no mesmo segundo, muita gente competente e pilotos com um currículo extenso de títulos no Brasil e no exterior. Atualmente é mais difícil se manter no topo do que ganhar o campeonato.
William: Já teve medo em algum momento correndo?
Cacá: Não. A gente aprende depois de muitos anos a ter respeito pela velocidade. Acho que no automobilismo ninguém tem medo. O dia que um piloto tiver medo ele vai parar de correr, pois vi ficar lento.

William: Quais são as diferenças da Nextel Stock Car e da TC2000?
Cacá: O carro da Stock tem um estilo americano de competição. É grande, pesado e com muita potência de motor, mas pouca tecnologia embarcada. Já o da TC 2000 tem influência européia. É menor, mais leve e com muita tecnologia.

Tecnicamente eles também destoam. O Stock Car tem tração traseira, com motor V8 de 450 cavalos e câmbio de cinco marchas fixas, ou seja, a gente não pode trocar a relação de marchas durante o ano inteiro. O TC 2000 tem um motor com cerca de 300 cavalos de potência, porém um câmbio melhor, de seis marchas, sendo que podemos escalonar e mudar as relações das marchas para todas as pistas. Apesar de ter 160 cavalos a menos, o TC 2000 vira o mesmo tempo de volta que o Stock Car.

Por isto é muito diferente pilotar os dois carros. Num tração traseira como o Stock Car, você pode ser muito mais agressivo do que num tração dianteira, até por uma questão de desgaste de pneu. No TC tudo está sobrecarregado nas duas rodas dianteiras.

Também sinto muita diferença na hora de fazer as correções. Quando saio de traseira no Stock Car, tenho que levantar o pé, desacelerar. Já no TC 2000 é o contrário, acelero para corrigir.

William: E o piloto Cacá Bueno ainda tem algum sonho?
Cacá: Claro, os sonhos sempre se renovam. Quero conquistar outros títulos na Copa Nextel Stock Car.
Nosso muito obrigado pela entrevista e que seu futuro seja o sucesso

William A Zacariotto
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