WILLIAM ANTONIO ZACARIOTTO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES:

UM ESTUDO SOBRE O PAPEL DE UM CURSO DE CAPACITAÇÃO EM INFORMÁTICA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

PUC –CAMPINAS

2004

WILLIAM ANTONIO ZACARIOTTO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES:

UM ESTUDO SOBRE O PAPEL DE UM CURSO DE CAPACITAÇÃO EM INFORMÁTICA

 

 

 

 

 

Dissertação apresentada como exigência parcial para obtenção do título de Mestre em Educação,  junto à Banca Examinadora do Programa de Pós-Graduação em Educação na Área de Ensino Superior da Faculdade de Educação da Pontifica Universidade Católica de Campinas, sob a orientação da Profa. Dra. Clayde Regina Mendes.

 

 

PUC –CAMPINAS

2004

Autor:  ZACARIOTTO, William Antonio

Título: FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES: UM ESTUDO SOBRE O PAPEL DE UM CURSO DE CAPACITAÇÃO EM INFORMÁTICA.

 

Orientadora: Profa. Dra. Clayde Regina Medes

 

Dissertação de Mestrado em Educação, PUC- Campinas, 2004

 

Data:30/09/2004.

 

Linha de Pesquisa: Docência de Nível Superior

 

 

        

BANCA EXAMINADORA

 

 

_________________________________________

Profa. Dra.  Clayde Regina Mendes

 

 

_________________________________________

Profa. Dra. Cileda de Queiroz e Silva Coutinho

 

 

_________________________________________

Profa. Dra. Raquel  Normandia Moreira Brumatti

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

DEDICATÓRIA

 

 

                                                                Se  você  não   lutar   pra  valer,

Acaba perdendo o próprio rumo.

E  se   isso    acontecer ,

                                                                              Você não será ninguém

                                                                   Ayrton Senna                                                       

 

Dedico este trabalho a minha esposa Luzia, as minhas filhas Aline Cristina e Ana Laura, a meus pais Natalino e Eva que sempre me ensinaram que estudo e família é a base pra se vencer na vida.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

AGRADECIMENTOS

 

 

 

 

 

Agradeço, primeiro, a Deus, pela vida, saúde, força, iluminação em todo o percurso desta conquista.

À Profa. Dra. Clayde Regina Mendes, por sua dedicação, seu perfil profissional: sempre claro, objetivo, feliz  e sorridente, pela orientação incansável e sua dedicação que tornaram possível a realização deste trabalho.

Agradecimentos as Profa. Dra. Cileda de Queiroz e Silva Coutinho e Profa. Dra. Raquel Normandia Moreira Brumatti, que participaram como membro da Banca de Qualificação, fornecendo-me subsídios importantes para o aperfeiçoamento deste trabalho e fundamentaram em mim o verdadeiro principio da educação.

Ao meu irmão, Wilson, que me ensinou que é possível amar outro homem além de meu Pai, ele!

À linderrima da minha prima Alessandra Bordignon

À Profa. Marcia Suely Petermann Moretti, pelo auxilio e colaboração.

À minha família que soube que isso era importantíssimo  para mim.

Agradeço também aos meus funcionários, que agüentaram as pontas enquanto estudava; Nomeá-los seria tarefa impossível, além de correr o risco de uma omissão absolutamente injusta e imperdoável.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

SUMÁRIO

LISTA DE ANEXOS.......................................................................................... viii

LISTA DE TABELAS........................................................................................ ix

RESUMO............................................................................................................ xi

ABSTRACT........................................................................................................ xiii

INTRODUÇÃO................................................................................................... 01

CAPÍTULO I

REFERENCIAL TEÓRICO

1.      História da evolução da informática na educação............................. 05

2.      A sociedade Brasileira e os processos de aprendizagem sob a influência da tecnologia................................................................................................ 14

3.      As competências do ensino em informática na educação

3.1.   A estrutura física............................................................................. 20

3.2.   A administração das escolas....................................................... 21

3.3.   A tecnologia na escola.................................................................. 22

3.4.   O papel do professor..................................................................... 26

3.5.   A capacitação / formação de professores para informática na educação     29

CAPÍTULO II

METODOLOGIA

1.      Problema de pesquisa e objetivos....................................................... 35

2.      Sujeitos.................................................................................................... 37

3.      Infra-Estrutura da instituição.................................................................. 37

4.      Material e Métodos................................................................................ 39

CAPÍTULO III

RESULTADOS E DISCUSSÕES

1.      Caracterização da Amostra.................................................................. 41

2.      A influência do curso de capacitação em informática nas administrações das escolas.................................................................................................... 49

3.      A influência do curso de capacitação em informática para os professores           55

CONSIDERAÇÕES FINAIS............................................................................ 64

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................................. 68


 

 

LISTA DE ANEXOS

 

Anexo A             Questionário aplicado aos participantes do curso de capacitação em Informática no primeiro dia de aula................................................... 74

Anexo B             Questionário aplicado aos participantes do curso de capacitação em Informática ao término do curso........................................................ 77

Anexo C             Termo de consentimento Livre e Esclarecido sobre a entrevista realizada com a capacitadora .................................................................................... 79

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

LISTA DE TABELAS

 

Tabela 1             Distribuição dos projetos de capacitação citados no relatório de atividades do MEC 2001............................................................................................ 12

Tabela 2             Comparativo entre uma situação no ensino tradicional e com o uso de novas tecnologias na educação................................................................... 17

Tabela 3             Distribuição dos sujeitos quanto à sua formação........................... 42

Tabela 4             Distribuição dos sujeitos segundo o curso de graduação realizado.       43

Tabela 5             Distribuição dos sujeitos quanto à classe em que leciona............ 43

Tabela 6             Distribuição dos Sujeitos quanto à matéria que lecionam nas escolas.  44

Tabela 7             Distribuição dos profissionais  que exerciam cargos administrativos:     45

Tabela 8             Distribuição dos sujeitos quanto a possuírem microcomputadores em casa     45

Tabela 9             Distribuição da utilização dos computadores em casa.................. 46

Tabela 10           Distribuição dos sujeitos quanto aos cursos de informática já realizados           47

Tabela 11           Distribuição dos sujeitos sobre a existência de laboratórios de Informática em suas escolas........................................................................................ 49

Tabela 12           Distribuição dos sujeitos quanto ao fornecimento de micros específicos  pela escola para uso dos professores. ....................................................  50

Tabela 13           Distribuição dos Sujeitos, indicando onde ficam os micros disponíveis para uso dos professores. .........................................................................  50

Tabela 14           Distribuição da importância em relação a ter micros em escolas que não os possuem............................................................................................... 51

Tabela 15           Distribuição das respostas sobre a existência de biblioteca na escola  51

Tabela 16           Distribuição das respostas sobre a existência de micros nas bibliotecas.          52

Tabela 17           Distribuição das respostas sobre a utilização dos micros nas bibliotecas.         53

Tabela 18           Distribuição de respostas das mudanças ocorridas no laboratório de informática após  o curso de capacitação. .....................................  54

Tabela 19           Distribuição de respostas dos pontos positivos indicados pelos sujeitos que sentiram que houve mudança de opinião quanto ao uso da tecnologia do ensino................................................................................................... 55

Tabela 20           Distribuição de sujeitos que já utilizaram o laboratório de informática na escola, antes e após a conclusão do curso. ...................................  56

Tabela 21           Distribuição dos pontos positivos informados pelos sujeitos que utilizaram o laboratório de informática após o curso de capacitação.  ............  57

Tabela 22           Distribuição dos pontos negativos informados pelos sujeitos que utilizaram o laboratório de informática após o curso de capacitação.  ............  58

Tabela 23           Distribuição do nível de conhecimento dos sujeitos do domínio do aplicativo antes e após a conclusão do curso de capacitação....................... 59

Tabela 24           Discriminação das respostas quanto ao desenvolvimento de materiais com uso de informática para a utilização em sala de aula. ...................  61

Tabela 25           Distribuição das respostas sobre o tipo de materiais desenvolvido.       61


RESUMO

 

ZACARIOTTO, William Antonio. Formação continuada de professores: um estudo sobre o papel de um curso de capacitação em informática. Dissertação de Mestrado em Educação. PUC-Campinas, 2004, 74 p. Orientadora: Profa.Dra. Clayde Regina Mendes.

 

Este trabalho está vinculado à linha de pesquisa Universidade, Docência e Formação de professores e teve como objetivo discutir como um curso de capacitação em informática realizado por uma Instituição de Ensino Superior do interior do estado de São Paulo pode auxiliar no processo de formação continuada de professores, proporcionando aos participantes uma mudança de opinião quanto o uso da tecnologia, a inclusão no mundo informatizado e a facilidade do acesso ao laboratório de informática nas escolas onde lecionam.

Foram sujeitos da pesquisa os professores do Ensino Fundamental que participaram desse curso de capacitação e também a capacitadora responsável. Os professores responderam a dois instrumentos: um questionário aplicado no primeiro dia de aula, cujas perguntas referiam-se a dados pessoais, profissionais e algumas questões específicas como nível de conhecimento em relação ao computador, quanto ao uso de softwares computacionais e a utilização do computador no contexto acadêmico; e outro, buscando compreender que possibilidades de mudanças lhes foram proporcionadas após participar desse curso, entregue no último dia de aula; quanto ao capacitador, foi avaliada a sua percepção sobre o uso da informática na educação e os benefícios que o curso traria aos participantes. A análise dos dados coletados permitiu verificar que a grande maioria dos sujeitos eram graduados em pedagogia (86,4%), lecionavam no ensino fundamental de 1ª. à 4ª. série (87,9%), tinham computadores em sua casa (75%), mas não o utilizavam porque não se sentiam competentes  para isto (69,7%). O curso proporcionou aos seus participantes uma conscientização dos recursos que tinha a sua disposição podendo utiliza-los  como ferramenta de ensino aprendizagem. Outro fator é que a grande maioria dos professores participantes do curso de capacitação (84,1%) tem em suas escolas laboratório de informática para o desenvolvimento de atividades com seus alunos, mas não tem microcomputadores específicos à sua disposição e na opinião deles isso seria importante (30,3%) e muito importante (69,7%). Também pode-se observar, 84,1% dos sujeitos respondeu que suas escolas têm bibliotecas, mas, por outro lado, apenas 15 (40,5%) professores indicaram a presença de micros nessas bibliotecas, mas percebe-se que a maioria deles (53,3%), não sabem como utilizá-los para fins de pesquisa. Outro fator importante é que 45,5% dos professores informaram que após o inicio do curso de capacitação o acesso ao laboratório foi facilitado pela direção de suas escolas. Todos os professores acreditaram que mudaram a sua opinião sobre o uso da tecnologia no ensino após o inicio do curso de capacitação e 51,5% deles acreditaram que o ponto mais positivo dessa mudança foi a sua inclusão no mundo informatizado. Todos os professores desenvolveram uma atividade prática com seus alunos. Um grande percentual dos professores (42,42%) informou que o ponto positivo dessa realização foi que os alunos sentiram-se mais interessados e quando solicitados a responder sobre os pontos negativos 62,96% informaram não haver nenhum.

 

Palavras-Chave: docência, informática na educação e tecnologia educacional.

 


ABSTRACT

 

 

This research is linked to the line in University research, Teaching and Formation of Teachers and its aim was to discuss how a course on capacity in informatics, set up by an Institution of Superior Teaching, at the surroundings of São Paulo state, could help into the process of a continued formation of teachers. The teachers from basic education, who participated in that course of capacitation (improving skills) were the subjects of this research, and also did the responsible (monitor). The teachers answered two questionnaire developed to precise the results: one of the questionnaire was applied to the teachers at their first day in the course. In that questionnaire, some the questions referred to personal data, some referred to professional data and others referred to their knowledge about working with the computer. They were asked about how much they knew about dealing with computational software’s and how they used to utilize their computers for academic purposes. The other questionnaire was concerned about the kinds of changing they had been put into after being attended that specific course; it was delivered in the last day of the course. Talking about the monitor, it was evaluated his perception about the use of informatics in education and the benefits the course could bring to the participants. The analyze of the collected  data enabled us to verify that the great majority of the teachers were graduated in pedagogy (86,4%), they taught the basic education, from the first to the fouth grade (level) (87,9%); those teachers had computers at their homes (75%), but they didn`t utilize it because they did not know how to (69,7%). All the participants in the course of improvement for teachers in informatics believed that technology can help in the process teaching-learning. Another factor is that the great majority of the participant teachers in the course 84,1% has in their schools laboratories of informatics to develop activities with their students, but they don`t have specific microcomputers available to themselves and according to them, having their own computers would be important (30,3%) and very important (69,7%). From those teachers, 84% of the participants told us that in their schools they have libraries but on the other hand, only 15 teachers indicated they have micros in those libraries, but we could realize that the majority of them (53,3%) doesn’t know how to deal with the equipment for researching. Another important factor is that 45% of the teachers informed us that after initiating the  course of improvement for teachers, the access  to the laboratory  was facilitated by the directory of their school. All of teachers researched  believed hat they changed they changed their opinion about using technology in teaching after beginning the course and 51% of them believed that the most positive aspect in that change was their incursion into the technological world. All of the teachers developed a practical activity with their students. A very high percentual of teachers (42,2%) informed us that a very positive factor in this realization was that the students felt themselves more self interested and when they were asked about the negative points (62,69%) informed us not to have any

 

Key-words: teaching, informatics in education and educational technology.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

INTRODUÇÃO

 

 

 

 

Fazer da escola não apenas o lugar da qualificação, do treinamento, mas o lugar da formação. Creio que isto significa fazer a escola retornar à seu futuro

                                                                   (NEIDSON RODRIGUES,1999,p.30)

 

Na sociedade contemporânea, as rápidas transformações no mundo do trabalho, o avanço tecnológico configurando a sociedade virtual e os meios de informação e comunicação incidem com bastante força na escola, aumentando os desafios de torná-la uma conquista democrática efetiva.  Aparentemente esta democratização do ensino passa pelos professores, por sua formação,  pela sua valorização profissional e por suas condições de trabalho apontados na importância de seu  investimento no desenvolvimento pessoal permanente (RIOS, 2002).

Notadamente, cerca de 70 milhões de pessoas se dedicam ao ensino no mundo e seis em cada 10 pessoas vivem em países em vias de desenvolvimento segundo Marles (2004). A falta do desenvolvimento traz consigo a deterioração da qualidade do profissional e a perda de prestígio dos professores, embasados na  falta de programas de qualificação e titulações adequadas. Paralelamente,  frente à importância e à necessidade de incluir os avanços tecnológicos nos processos de formação, emergem no continente americano, problemas críticos nas Instituições de Ensino, que são afetados pelas diferenças econômicas e sociais, diante da aquisição, compra,  adequação, compreensão, transformação  e uso pedagógico das tecnologias.

A prática pedagógica proposta para o novo século necessita de recursos tecnológicos e mobiliários que atendam às exigências da modernidade complementa Behrens (1996). Os laboratórios de informática deveriam ser espaços abertos para  professores e alunos, sem que ficassem restritos ao uso só para aulas instrumentais. A utilização efetiva e sistemática de recursos tecnológicos são ingredientes de um processo cotidiano cujo objetivo prioritário, para o professor, seria orientar os estudantes sobre onde colher a informação, como tratar essa informação e como utilizá-la pedagogicamente, abrindo  espaços para articular e desenvolver o conhecimento.

Mas o simples acesso à tecnologia em si não é mais importante, ensina Moraes (2002). O microcomputador por si só não provoca as mudanças desejadas, é necessário utilizar os recursos tecnológicos e suas ferramentas  para a criação de novos ambientes de aprendizagem   que estimulem a interatividade,  que desenvolvam a capacidade de formular e resolver questões,  a busca de informações  contextualizadas associadas às novas dinâmicas sociais de aprendizagem.

Bruno (2003) complementa que, para as escolas que desejam utilizar os recursos tecnológicos, o que importa é a idéia de que uma nova metodologia, mais eficiente e capaz de ensinar, constrói-se  a partir dos esforços de todos os sujeitos envolvidos com o ensinar: pais, funcionários, professores, coordenadores e  direção.

  Embora de grande valia na difusão de conhecimento, as novas tecnologias de informação jamais deverão inibir o papel transformador do ensino. Esse papel consiste basicamente em fazer de cada aluno, depois de formado, um verdadeiro agente de mudanças. Marcovitch (1998) complementa que, para transformar os alunos em agentes de mudanças, é preciso desenvolver a reflexão e a construção dos conhecimentos.

No século XV, quando surgiu a palavra impressa, o invento de Johannes Gutenberg igualmente permitiu que a informação ampliasse fantasticamente o seu alcance; porém, tornou-se necessário transformar a informação em conhecimento e, posteriormente, o conhecimento em sabedoria. A sabedoria moveu Galileu Galilei e Isaac Newton e o conhecimento induziu à revolução tecnológica nos séculos XVIII e XIX. A história, esta sábia mestra, demonstrou que o livro é a melhor arma contra a ignorância. O livro mudou profundamente o papel do educador e a missão da escola. Tornou os professores ainda mais importantes para a estruturação dos projetos de vida dos jovens. Uma educação padronizada e submetida a interesses não-pedagógicos causaria danos irreparáveis às novas gerações (MARCOVICTH, 1998).  Da mesma forma, adverte Rosemberg (2002), cabe aos educadores buscarem, nos avanços da ciências e das tecnologia, novas formas de ensino, que auxiliem o desenvolvimento pedagógico, procurando atualizar-se de acordo com a evolução.

Por outro lado, um outro problema, segundo Behrens (1996), é que a capacitação docente tem passado por soluções paliativas:

Se a educação vai mal, designa-se uma reforma que se propõe a arrumar o sistema. Se a qualidade do professor vai mal, instituem-se cursos e treinamentos feitos fora do perímetro da escola como solução definitiva do problema.

 (p.115)

         

 Nem a reforma, nem os cursos servirão de parâmetro para melhoria sem o envolvimento efetivo do corpo docente e administrativo da escola. O cuidado a ser observado é a necessidade de que o curso, projeto ou seminário parta do grupo,  com o “grupo e para grupo” de professores, provocando uma formação continuada que busque recursos educativos com eles (os professores) e não para eles.

Rosemberg (2002) complementa que o saber necessário ao professor é que, ensinar não é apenas transferir  conhecimento, mas desenvolver, construir em conjunto com o envolvimento de  professores e alunos.

Não há transformação do aluno sem o professor, do professor sem o aluno, e da escola sem políticas públicas que subsidiem esta formação, adverte Behrens (1996). Essa transformação depende da recondução do professor, orquestrado por um processo pedagógico coletivo, criativo e inovador.

A essas transformações adiciona-se a Tecnologia na Educação, que  requer um olhar mais abrangente, envolvendo novas formas de ensinar e de aprender condizentes com o paradigma da sociedade do conhecimento, o qual se caracteriza pelos princípios da diversidade, da integração e da complexidade.

Neste sentido, minha inserção na docência para o ensino superior me levou a pensar ainda mais criticamente sobre o papel e a responsabilidade da Universidade diante da capacitação tecnológica em  informática. 

Considerando as responsabilidades da Universidade na Formação continuada de professores e em especial na capacitação em informática, procurou-se com este estudo/pesquisa, identificar qual foi o papel do curso de capacitação em informática desenvolvido por uma Instituição de Ensino Superior destinado aos professores do Ensino Fundamental de diversas escolas da rede municipal de educação de uma cidade do interior do estado de São Paulo.  O estudo foi realizado com uma amostra de conveniência constituída por  professores que freqüentaram o curso de capacitação em informática e também pela capacitadora. 

As considerações que compõem este trabalho estão estruturadas da seguinte forma:

O  Capítulo I  contém uma revisão sobre o referencial teórico, e aborda  os seguintes temas:

Inicialmente, procurou-se identificar como se ocorreu a evolução da informática na educação no Brasil, através da  história da evolução da informática na Educação Nacional, a entrada da informática na Educação,  as transformações proporcionadas e   os avanços tecnológicos.

Em face dos envolvimentos tecnológico na educação, surgiram as diretrizes para o estabelecimento de políticas de informática no Setor da Educação, Projetos, Seminários e Planos de Ação Integrada, que objetivavam a desenvolver metas e atividades para envolver a sociedade brasileira nos processos de aprendizagem com recursos de informática.

            Em seguida, buscou-se identificar, aos projetos desenvolvidos pelo MEC-Ministério da Educação e Cultura -, direcionados à efetivação de políticas de Informáticapara o setor da Educação, quais as atividades presentes em cada um dos projetos implementadas pelo MEC, demonstrando-se os investimentos e as formas de capacitação adotadas ao longo da história.

            Neste capitulo, também se procurou identificar qual foi a influência da sociedade nos processos de ensino aprendizagem, quais mudanças ocorreram após o uso dos recursos tecnológicos, e comparar, segundo alguns escritores, quais  as  diferenças entre o ensino tradicional e o ensino com o uso das novas tecnologias.

Para que se possa utilizar a informática como ferramenta de apoio educacional, desenvolvemos, após análise de vários escritores, cinco pilares necessários para a utilização deste recurso como ferramenta educacional, sem os quais não se tornaria possível a implementação dos mesmos: primeiro, a necessidade de adequação da estrutura física das escolas; segundo, o envolvimento do corpo administrativo no contexto tecnológico; terceiro, a influência da tecnologia nos processos de aprendizagem;  quarto, a participação dos educadores; quinto, a necessidade do envolvimento do curso de capacitação em informática com as formas pedagógicas a serem desenvolvidas.

O Capítulo II descreve a metodologia utilizada na pesquisa, o objetivo, o problema e o caminho percorrido por ela; relata ainda quais foram os sujeitos participantes deste trabalho; a infra-estrutura da instituição envolvida na capacitação; os materiais e métodos utilizados para  desenvolver  a pesquisa que contou com dois questionários – um elaborado no início do curso com os alunos participantes e outro aplicado no final e a metodologia aplicada para desenvolver a entrevista semi-estruturada com a capacitadora.

O Capítulo III apresenta os resultados da pesquisa realizada com os professores que participaram do curso de capacitação em informática fornecido por uma instituição de Nível superior do interior do estado de São Paulo, a análise desses resultados e as considerações daí derivadas.

O capítulo final apresenta as conclusões possibilitadas pelas discussões anteriores.  considerações sobre essas discussões e a conclusão pessoal.

Finalmente apresentamos as referencias bibliográficas, do estudo em questão.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CAPITULO I-REFERENCIAL TEÓRICO

Não há ensino de qualidade, nem reforma educativa, nem inovação pedagógica, sem uma adequada formação de professores   (NÓVOA,1992,p.9)

 

 

 

1.1. HISTÓRIA DA EVOLUÇÃO DA INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO.

 

A entrada da Informática na Educação no Brasil está ligada diretamente ao ingresso dos microcomputadores, que ocorreu nos últimos 30 anos, principalmente no campo da microeletrônica, acarretando inúmeras transformações. Essas transformações ocorreram em vários setores econômicos, como indústrias, bancos e telecomunicações, que passaram a ter como base de seu desenvolvimento a informática (CARVALHO, 2000).

Essas transformações tecnológicas iniciaram-se na década de 70, com a caracterização de dois pontos de vista: um restrito e outro amplo. Segundo Litwin (1997), a versão restrita está limitada ao ensino, dirigido apenas na utilização dos recursos dos microcomputadores no aspecto físico, ou seja, o domínio dos equipamentos; já a visão ampla se enquadra em uma linha diferente, baseada no desenvolvimento e na administração dos elementos sistêmicos, isto é, na educação concebida como um sistema ou a totalidade de subsistemas inter-relacionados, onde o papel da tecnologia é  colaborar fornecendo ferramentas para o auxilio do desenvolvimento de atividades na educação.

 A entrada dos países do terceiro mundo (neste caso em especial do Brasil) na área de informática representou uma modificação na divisão internacional do trabalho, pois estes deixaram de ser, exclusivamente, responsáveis pela produção e exportação de manufaturados de menor valor agregado e passaram a produzir uma quantidade crescente de serviços de informações vitais para a gestão de suas economias. Diante do disputado mercado mundial da informática, a tentativa do Brasil de desenvolver uma política de informática com características de independência encontrou várias dificuldades, como cita Oliveira (1997).

As dificuldades encontradas se dividiam em dois níveis: o interno, relacionado à falta de pessoas capacitadas para o desenvolvimento de pesquisa na área de tecnologia educacional; e  externo, isto é, dificuldades tais como pressão política e econômica das nações de Primeiro Mundo, as quais não aceitavam perder fatias de um mercado bastante rentável.

As tecnologias avançavam no país, não acontecendo o mesmo no campo de recursos humanos, principalmente o especializado. Naquele momento, apenas as universidades eram os principais formadores de recursos e não atendiam a demanda. Visando levar os microcomputadores às escolas de educação básica e garantindo assim que também o ensino fundamental e médio pudessem contribuir de forma definitiva para a formação dos recursos humanos, o governo brasileiro entendeu que era necessário envolver a escola pública em um movimento que já tomava corpo nos países desenvolvidos: “O movimento da tecnologia em educação.”

Em 1981, surge a Política de Informática Educativa (PEI), por meio da atuação do Governo Federal, das Secretarias Estaduais e Municipais de Educação, e das Universidades, a fim de  inserir o microcomputador no processo ensino-aprendizagem. No mesmo ano, foi realizado em Brasília o I Seminário Nacional de Informática na Educação, promovido pela Secretaria Especial de Informática (SEI), pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), passando a representar o marco inicial das discussões sobre informática no processo educacional e fornecendo subsídios para a implantação do programa de Informática na Educação.

Em 1982, surge o Centro de Informática Educativa do MEC – Cenifor, subordinado à Fundação Centro Brasileiro de TV Educativa (Funtevê) através da Portaria nº 9, de 18/02/82, cabendo a ele assegurar a pesquisa, o desenvolvimento, a aplicação e a generalização do uso da informática no processo de ensino-aprendizagem em todos os níveis e modalidades. No mesmo ano  foi realizado o II Seminário Nacional de informática na educação, promovido pelo MEC/SEI/CNPq, cujo tema era: “O impacto do microcomputador na escola. O objetivo do seminário era buscar subsídios para uma experiência piloto do uso do microcomputador no processo educacional brasileiro, e aprovar as diretrizes para o estabelecimento da política de informática no Setor da Educação, Cultura e Desporto pela Comissão de Coordenação Geral do MEC  (MORAES,1997).

Nos dois seminários foi apresentado pelos participantes um conjunto de recomendações consideradas como itens fundamentais na definição dos caminhos a serem trilhados pela política de informática educativa e que ainda hoje podem ser consideradas importantes sobre o uso de microcomputadores no processo educacional. Dentre as recomendações destacava-se que ocorria um  grave quadro de desequilíbrios na oferta de oportunidades educativas em prejuízo do acesso universal à escola elementar; e que ao mesmo tempo, que seria  necessário ter um melhor desempenho e qualidade dos níveis médio e superior ante e avanço dos padrões tecnológicos e organizacionais do mundo do trabalho e das relações societárias; e que, neste sentido, era maior a deficiência das instituições educacionais para preparar as pessoas para criar, conviver e utilizar os recursos e a organização das redes informacionais (OLIVEIRA,1997) .

 Ao analisar as preocupações, por parte dos educadores que participaram desses seminários, Moraes (1997) descreve  três características:  a primeira relativa ao uso indiscriminado de programas estrangeiros que poderiam influenciar os conceitos e padrões culturais nacionais; a segunda, às questões da economia, visando o investimento desnecessário em máquinas e passando a ser única e exclusivamente um investimento financeiro e não educacional;  a terceira  à criação de projetos pilotos, em caráter experimental, com implantação limitada, tendo como objetivo a pesquisa sobre a utilização de informática no processo educacional.

Neste mesmo ano de 1982 ocorreu a aprovação das diretrizes para o estabelecimento da política de informática no Setor da Educação, Cultura e Desporto pela Comissão de Coordenação Geral do MEC.

No ano de 1983 ocorreram vários seminários, nos moldes dos 2 outros anteriormentes relatados,  criou-se a Comissão Especial de Informática na Educação (CE/IE), através da comissão especial nº 11/83 - Informática na Educação (Portaria SEI/CSN- nº 001, de 12/01/83), que elaborou e aprovou o projeto Educom- Educação com computadores que ficoua cargo da Funtevê, e era apoiado financeiramente entre a  Secretaria Especial de Informática (Seinf-MEC), o CNPq e a Financiadora de Estudos e Projetos(Finep), os quais solicitaram às Universidades a apresentação de Projetos para criação de Centros-piloto;  também houve a partir daí, reestruturação do Cenifor (Resolução do Conselho Diretor da Funtevê nº 16/83, de 20/10/83) de modo a assumior os papéis de órgão indutor, mediador e produtor de tecnologia educacional de informática, coordenando o processo de informatização da educação.

Em 1985, ocorreram a divulgação pelo MEC do I Plano Setorial: Educação e Informática, prevendo ações nos segmentos de ensino e pesquisa relacionadas ao uso e aplicação da informática na educação, a aprovação do novo regimento interno do Cenifor (Portaria Funtevê nº 246, de 14/08/85) e, finalmente, a aprovação do Plano Setorial: Educação e Informática pelo Conselho Nacional de Informática e Automação (CONIN).

Em 1986, criou-se o Comitê Assessor de Informática na Educação de Primeiro e Segundo graus – CAIE/SEPS e aprovou-se o programa de ação imediata em informática na educação, transferindo a coordenação e supervisão técnica do Projeto Educom da Funtevê para a Secretaria de Informática do MEC - SEINF/MEC. Também nesse ano foi criado o I concurso nacional de “Software Educacional” (Portaria MEC/SEPS nº 417, de 11/07/86), constítuido da Comissão de avaliação dos Centros-piloto do projeto Educom (Portaria MEC/SG nº 418, de 16/07/86).

O projeto Educom, fruto das recomendações do I Seminário Nacional de Informática na Educação, representou a primeira ação concreta para levar microcomputadores às escolas públicas brasileiras, tendo como objetivo principal estimular o desenvolvimento da pesquisa multidisciplinar no processo de ensino-aprendizagem. Foram selecionadas cinco instituições públicas de ensino superior: a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).

A função dos Centros-pilotos era desenvolver pesquisas sobre a utilização de microcomputadores no processo de ensino-aprendizagem, garantindo a interdisciplinaridade, reunindo pessoal das áreas de informática, educação, psicologia da aprendizagem e do desenvolvimento da sociologia, buscando em conjunto a preservação dos valores socioculturais quando da produção de softwares educativos (OLIVEIRA,1997).

Notadamente em 1987, ocorreram diversos fatos que alavancaram a informática na educação: um deles foi a extinção do Comitê Assessor de Informática para a Educação de Primeiro e Segundo Graus - CAIE/SEPS, vindo a ocupar o  seu lugar o Comitê Assessor de Informática e Educação - CAIE/MEC (Portaria MEC/GM nº 260, de 14/04/87); outro fator importante foi a criação e implantação do Projeto Formar, promovido pelo MEC/SEINF. Também a Unicamp promoveu o I Curso de Especialização em Informática na Educação; criou-se também o II Concurso anual de Software Educacional Brasileiro, aparentemente com a finalidade incentivar as iniciativas de informática na educação; realizou-se a Jornada de Trabalhos de Informática na Educação: subsídios para políticas, promovida pelo MEC/SG/SEINF; e iniciou-se a  implantação dos  Centros de Informática na Educação (Cied) de primeiro e Segundo Graus e Educação Especial junto aos sistemas estaduais públicos de ensino.

Para Pessoa (2002), o projeto Formar foi criado com a finalidade de formar professores e técnicos das redes municipais e estaduais de ensino de todo Brasil, para o trabalho com Informática Educativa proporcionada pelos laboratórios do Projeto Educom/Cied. Além de coletar a diversidade de experiências trazidas pelos professores-alunos participantes dos cursos, visava o desenvolvimento de uma consciência crítica das possibilidades do uso da tecnologia no processo de ensino aprendizagem e finalmente a criação de agentes distribuidores da Informática Educativa na rede de ensino, ficando a cargo dos participantes a incumbência de capacitar outros docentes em seus locais de origem para o trabalho com Informática Educativa.

Em 1988 realizou-se o III Concurso Nacional de Software Educacional Brasileiro, e a Organização dos Estados Americanos (OEA) convidou o MEC-Brasil para avaliar o programa de informática aplicada à educação básica do México. O resultado foi a criação de um projeto multinacional de cooperação técnica e financeira integrado por sete países (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana e Venezuela), com o objetivo de utilizar as redes telemáticas para a formação de professores, investigadores, administradores escolares e membros da comunidade, para auxiliar a implantação da informática na educação e a promoção de mudanças na escola pública.   

Em 1989, realizou-se a jornada de Trabalho Latino-Americano de Informática na Educação e reunião técnica de Coordenação de Projetos em Informática na Educação; a Unicamp avançava implantando o II Curso de Especialização em Informática na Educação - Projeto Formar II. Outro fator importante foi que o Conselho Nacional de Informática e Automação (CONIN) alterava a redação do II Plano Nacional de Informática e Automação, introduzindo ações de informática na educação, implantando núcleos de informática em educação junto às instituições de ensino superior, secretarias de educação e escolas técnicas, com a finalidade de criar ambientes informatizados para atendimento à clientela de primeiro, segundo e terceiro graus, educação especial e ensino técnico, objetivando o desenvolvimento de pesquisa e formação de recursos humanos (OLIVEIRA, 1997).

Também em 1989, instituiu-se o Programa Nacional de Informática na Educação (Proninfe); mas somente em 1990 houve aprovação de seu regimento (Portaria MEC/SG nº 27, de 07/03/90) e a integração do Proninfe à Secretaria Nacional de Educação Tecnológica- SENETE/MEC (Portaria MEC nº 58, 06/06/90).

Em 1991, o Ministério da Educação aprovou o 1º Plano de Ação Integrada (Planinfe), para desenvolver nos anos de 1991 a 1993 um plano de ação integrada com objetivos, metas e atividades para o setor da informática educativa. No mesmo ano, criou-se o Comitê Assessor de Informática Educativa—CAIE do Proninfe, através da Portaria MEC/GM nº 335, de 27/02/91, também incluíu no II Plano Nacional de Informática e Automação – Planin, pela lei  nº 8.244, de 16/10/91.

Após as sugestões do 57º INEP criou-se, em 1996, a Secretaria de Educação a Distância (SEED), pelo Decreto nº 1.917 de 27/05/96 e apresentou-se o documento básico “Programa Informática na Educação” na III Reunião Extraordinária do CONSED, realizado no Workshop MEC/SEED em Fortaleza-CE, Brasília-DF e em Manaus-AM, para apresentar, analisar e discutir as diretrizes iniciais do Proinfo - Programa Nacional de Informática na Educação.

Pessoa (2002) complementa que o Proinfo foi desenvolvido com o objetivo de financiar a entrada da tecnologia informacional e das telecomunicações no ensino médio e fundamental das escolas públicas e iniciar o processo de universalização do uso de novas tecnologias na educação pública.

O Proinfo desenvolve a informática educativa no Brasil através de projetos e atividades, articulados e convergentes, apoiados em fundamentação pedagógica sólida e atualizada, de modo a assegurar a unidade política, técnica e cientifica imprescindível ao êxito dos esforços e investimentos envolvidos. Além de apoiar o desenvolvimento e a utilização da informática nos ensinos de 1º 2º e 3º Graus e educação especial,  criando vários centros de informática educativa, produção, aquisição, adaptação e avaliação de software educativos distribuídos geograficamente no País, buscou a consolidação e a integração das pesquisas,  bem como a capacitação contínua e a formação permanente de professores e técnicos dos diferentes sistemas de ensino e pesquisas. Pretendia-se, também, facilitar a aquisição de equipamentos de informática por parte dos sistemas de educação pública, implantação de rede pública de comunicação de dados  e incentivo a cursos de pós-graduação na área de Informática na Educação (MORAES,1997).

Em 2000, surge o projeto Rede Telemática para formação de educadores a distância. O projeto formava professores, administradores, pesquisadores e membros das comunidades escolares, em informática na educação,  analisando estudando e programando as mudanças pedagógicas e de gestão da escola, integrando a comunidade e a escola, envolvendo e formando continuamente os seus integrantes.  Financiado pela OEA e desenvolvido pelo  SEED/MEC, em conjunto com os pesquisadores do laboratório de Estudos Cognitivos (LEC) da UFRGS, do Núcleo de Informática Aplicada à Educação (NIED) da UNICAMP e do programa de Pós-Graduação em Educação da PUC(SP), o programa estabeleceu uma rede colaborativa  de formação continuada de pesquisadores e professores.  Valente (2003) destaca que, na UNICAMP, utilizou-se um processo de formação diferenciado, tendo como referência a utilização de professores-multiplicadores.

Os professores-multiplicadores desenvolveram um trabalho de implantação nas escolas, da informática como parte das atividades pedagógicas nas disciplinas curriculares. Esse trabalho de implantação de informática foi desenvolvido em conjunto com os educadores, professores, orientadores pedagógicos e diretores. 

Barbosa (2002) esclarece que o processo  professor-multiplicador consiste em capacitar um professor da própria escola transformando-o em um especialista na capacitação de professores (de escolas) para o uso da telemática em sala de aula: adota portanto o princípio de  professor capacitando educador.

Aos multiplicadores caberia o papel de capacitar os professores das escolas nas bases tecnológicas, auxiliando tanto no processo de planejamento, na incorporação das novas tecnologias, no suporte técnico e na capacitação dos professores e das equipes administrativas das escolas.

Atualmente, o MEC  tem procurado, através de seus projetos, fundamentar nas escolas  um enorme potencial didático-pedagógico, ampliando oportunidades onde os recursos são escassos, familiarizando o cidadão com a tecnologia que está em seu cotidiano, dando respostas flexíveis e personalizadas para pessoas que exigem  uma maior diversidade de tipos de educação. Outro fato é a criação de espaços educacionais nos quais se promovam a formação e conhecimento em informática educativa, motivando os profissionais e alunos para aprender continuamente, em qualquer estágio de suas vidas (MEC, 2004).

 

 

1.2. OS PROGRAMAS E PROJETOS DE FORMAÇÃO E CAPACITAÇÃO DE PROFESSORES.

 

            Para a Secretaria de Educação Superior do MEC, desde 2002 já  vivenciavámos momentos especiais na área de educação, com  o conhecimento e a capacidade de aprendizado ao longo da vida sendo já encarados como uma fonte de riqueza das nações e uma condição para o desenvolvimento humano e para a sustentabilidade dos países.  Ao buscar novos ambientes, culturas e conhecimentos espalhados pelo planeta, a implementação de trabalhos cooperativos entre professores, alunos e instituições já caminhava por intermédio das tecnologias de informação, comunicação e das redes de internet (SES/MEC, 2002)

Porém, não se tratava simplesmente de  mudar as formas,  métodos ou    modo de uso dos recursos; éra necessário fundamentar um planejamento, desenhado em projetos e  programas, tratando cada aspecto especifico necessário a essas mudanças. Na Tabela 1, descrevemos quais foram os principais projetos e programas envolvidos na capacitação e formação de professores realizados pelo MEC:

 

 

 

 

 

Tabela 1- Distribuição dos projetos, investimentos e profissionais capacitados pelo MEC- Ministério da Educação e Cultura.  

Projetos

Investimento em milhares de Reais

Quantidade de pessoas capacitadas

 

Proformação

 

8.909,(3)

2,82%

 

 

23.700(3)

1,61%

 

Proinfo

 

206.951,(2)

65,48%

 

 

137.911(2)

9,39%

 

Tv Escola

 

99.690,(2)

31,54%

 

 

1.279.290.(4)

87,10%

 

 

Radio Escola

 

495,(1)

0,16%

 

 

27.840(1)

1,90%

 

 

Total

 

316.045,

100%

 

1.468.741

100%

 

1. Fonte:Seed/Mec- Site www.mec.gov.br

2. Fonte:Relatório de atividades DIED/SEED/MEC 1996/2002, dez/2002

3. Fonte: FNDE – Relatório do Programa de Apoio Tecnológico 1995-1997,

Seed / MEC – Relatórios FNDE / BGU 1996 a 2001

4. Fonte: TVE/ACERP- Não incluídos os dados de 2002.

 

Os dados da tabela 1 identificam o numero de professores participantes do cursos de capacitação do MEC; e não se pode dirigir a atenção  unicamente ao fato do investimento financeiro, pois em cada programa o objetivo é diferenciado. Um bom exemplo, esta em que, se olharmos na tabela, o que aparentemente se verifica  que o TV Escola atendeu mais professores com menor investimento R$ 99.690.000/1.279.290 professores; em relação ao Proinfo, R$ 206.951.000/137.911 professores. No entanto, é preciso  levar em conta que o  investimento do Proinfo se deu em infra-estrutura básica na área de informática, capacitando apenas professores multiplicadores, que desenvolveriam atividades junto nas escolas aos demais professores e que essa capacitação  atingiu  mais de 6 milhões de alunos em 4.629 escolas públicas.

 

 

Todos os projetos e programas de formação desenvolveram atividades de formação de professores e capacitação em informática, e a seguir vamos descrever cada projeto objetivando entendê-los individualmente:

O Proformação - Programa de Formação de Professores em Exercício-  iniciou sua implantação nos estados de Alagoas, Amazonas, Bahia, Maranhão e Tocantins, em janeiro de 2000. É um curso a distancia , em nível médio, com habilitação para o magistério na modalidade Normal,  destinado aos  professores que, sem formação específica, encontram-se lecionando nas quatro séries iniciais, nas classes de alfabetização ou no EJA- Educação de Jovens e Adultos- das redes públicas de ensino do país.

            Ao habilitar para o magistério, o Proformação buscou elevar o nível de conhecimento e da competência profissional dos docentes em exercício, contribuindo para a melhoria do processo ensino-aprendizagem e do desempenho escolar dos alunos nas redes estaduais e municipais do Brasil, valorizando  o Magistério pelo resgate da profissionalização da função docente e melhoria da qualidade do ensino.

            Paralelamente, o  Departamento de Informática na Educação a Distância  (DIED) passou a implementar e acompanhar o Proinfo- Programa Nacional de Informática na Educação com o objetivo de desenvolver ambientes de aprendizagem, programas de cooperação internacional, e ações nos Centros experimentais de tecnologia (CETE).

            O Proinfo teve como atribuições financiar a entrada da tecnologia informacional e das telecomunicações no ensino médio e fundamental das escolas públicas e posteriormente, iniciar o processo de universalização do uso de novas tecnologias na educação pública, propondo a melhoria da qualidade do processo de ensino-aprendizagem, ao mesmo tempo tornando possível a criação de uma nova pedagogia cognitiva no ambiente escolar através da incorporação de novas tecnologias informacionais (MEC,2004).

Para desenvolver o ensino, optou-se por criar um ambiente digital que apoiasse o processo de ensino-aprendizagem, desenvolvendo-se o E-proinfo, baseado na tecnologia da internet, de modo a permitir  a concepção, implantação e operacionalização de uma infra-estrutura completa para a criação, condução e administração de ambientes de aprendizagem, como cursos a distância, complementos a distância para cursos presenciais, projetos de pesquisa, projetos colaborativos e diversas outras formas de apoio a distância ao processo de ensino e aprendizagem.

            Viabilizando o apoio às ações do Proinfo, o CETE-Centro de Experimentação em Tecnologia Educacional buscou organizar, acompanhar e coordenar as informações do processo de implantação do Programa, estabelecendo redes de comunicação, divulgando produtos e  desempenhando  o papel de canal de comunicação entre o Ministério da Educação, os produtores de Tecnologia Educacional (Universidades e Centros de Pesquisa), a indústria e as escolas.

Também foi criada a RIVED-Rede Internacional Virtual de Educação, um projeto multilateral integrado por Brasil, Peru e Venezuela, destinado a produzir soluções baseadas no uso de telemática para apoio ao ensino de nível médio de Ciências (Biologia, Física e Química) e Matemática. A RIVED é um programa integral que desenhou as atividades de ensino e aprendizagem, produzindo materiais didáticos no formato multimídia, e capacitou pessoal, integrando a esses conteúdos  uma rede de distribuição e de avaliações de aprendizagem, além da avaliação do próprio programa.

O RIVED foi criado com a metodologia de  projeto educativo e não tecnológico; descreve Haddad (2001), propondo estudar o potencial com que a tecnologia poderia auxiliar no processo de ensino-aprendizagem. Outro fator, descreve o autor, é que se tratava de uma reforma no ensino (e não uma reforma curricular), que deveria ser tratada como  um sistema integrado e não apenas como um adicional,  que melhoraria a aula mas não substituiria o seu contexto, o qual  foi baseado na internet mais não poderia ser única e exclusivamente  dependente dela, e finalmente que  era necessário  a  capacitação dos professores para utilizá-lo.

O Proinfo beneficiou mais de 6.000.000 de alunos, 4629 escolas, 137.911 professores capacitados, 10.087 técnicos e instalou até o ano de  2003 mais de  53.895 microcomputadores nas escolas públicas (DIED/MEC, 2004).

            O Programa TV Escola entrou na reforma do Ensino Médio, desenvolvendo a capacitação e atualização dos professores do ensino fundamental e no ensino médio da rede pública, permitindo à escola entrar em sintonia com as grandes possibilidades pedagógicas oferecidas pela educação à distância.

            Os objetivos gerais do programa da TV Escola são o aperfeiçoamento e a valorização dos professores da rede pública, o enriquecimento do processo de ensino-aprendizagem e a melhoria da qualidade do ensino. Nesta visão, procurou-se permitir que os professores pudessem gerenciar seu próprio desenvolvimento profissional, contribuindo para a preparação e o desenvolvimento de aulas mais dinâmicas, ricas, contextualizadas, interdisciplinares e prazerosas.

Outro fator importante foi desafiar os gestores a incorporarem a tecnologia nos processos de gestão da escola e da sala-de-aula, implementando uma proposta de pedagogia da imagem que se caracterizou pelo uso da imagem não como simples ornamento, mas como uma forma de linguagem, de comunicação, gerando  leitura, a descoberta, a aprendizagem e  auxiliando o professor na construção de atividades de aceleração e de recuperação de estudos.

O projeto também procurou revitalizar a biblioteca, transformando-a num centro de recursos multimídia, na perspectiva de que a integração das diferentes mídias enriqueceria a formação dos indivíduos.

O projeto TV Escola distribuiu e instalou mais de 57.395 Kits (Antena parabólica, receptor de satélite, televisor a cores 20 polegadas, videocassete, estabilizador de voltagem e fita VHS) estando presente em 4.290 municípios, capacitou 340.931 professores multiplicadores para desenvolvimento de trabalhos com o uso da TV Escola  no ensino fundamental e médio. É importante ressaltar que,  em sua programação, o programa “Salto para o futuro”, oferecido via Internet, rádio, televisão, fax, telefone, e-mail e em momentos interativos permitiu aos professores, reunidos em mais de 800 Telepostos, um contato ao vivo com especialistas nos temas em análise (TV ESCOLA/MEC, 2002) .

Internamente,  no TV Escola foram criados projetos com a finalidade de capacitar professores, o Programa   os desafios de Hoje”  capacitou, até 2002, mais de 337.992 professores e dirigentes, trabalhando na perspectiva atual da educação com tecnologias, enfatizando o audiovisual,  sem descartar o material impresso e as outras mídias, que se integravam a fim de promover a aprendizagem.

O projeto Rádio-Escola desenvolveu ações, nas escolas públicas ou comunidades, que visavam a utilização e a mobilização dessa mídia na difusão e no desenvolvimento de práticas pedagógicas, produzindo séries de programas educativos que se destinavam à capacitação e atualização de professores alfabetizadores de jovens e adultos. Desenvolvido em parceria com o Programa Alfabetização Solidária, o projeto organizou-se sob a forma de programas radiofônicos, com materiais impressos e orientações técnicas, servindo de apoio ao trabalho desenvolvido em localidades com altos índices de analfabetismo (RADIO/MEC, 2002) .

Paralelamente, a Secretaria de Estado da Educação de São Paulo incentivou a informática pedagógica nas escolas paulistas, descreve Galleta (2002).  Em 2002 já existiam mais de 28 mil computadores, distribuídos em 2.931 salas-ambiente de informática em mais de 3 mil escolas, destinados às clientelas da 5ª à 8ª série do Ensino Fundamental e do Ensino Médio envolvendo 3.889.388 alunos e 160 mil professores. A implementação do programa de introdução da informática pedagógica na Rede Pública de Ensino envolveu  os seguintes aspectos: a aquisição e distribuição de equipamentos; o recursos para preparação do ambiente físico nas escolas; a análise e aquisição de softwares; o acesso à Internet; a instalação e manutenção de infra-estrutura para capacitação de professores; a capacitação de professores; o incentivo de parcerias com empresas e  implementação do Projeto Aluno Monitor.

No projeto do estado de São Paulo, percebe-se que a maior atenção dada foi à criação da infra-estrutura tecnológica necessária para a implementação pedagógica: inicialmente, padronizou-se os modos de aquisições de computadores; depois, foi analisada toda a infra-estrutura física das escolas (espaço, aquisição de moveis, equipamentos de rede e de padrão elétrico); posteriormente, ocorreu a  escolha e a aquisição dos softwares educacionais; priorizando o acesso à internet em todas as salas-ambientes de informática; e capacitou cerca de  149 professores multiplicadores, e 148.252 professores até 2001.

Uma inovação criada pelo estado de São Paulo foi o projeto “Aluno Monitor” que formou aproximadamente 9.000 alunos em 2.931 escolas para apoiar os professores na utilização da sala-ambiente de informática; a função dos monitores era trabalhar no preparo do ambiente, incluindo a abertura das salas, ligar os equipamentos e checar diariamente, disponibilizando softwares, anotando todas as atividades realizadas e quais foram os usuários , criando e manipulando pastas e diretórios para gravação dos resultados dos trabalhos (GALLETA ,2002).

O que se pode observar é que a grande maioria dos projetos e programas nacionais foram  fundamentados  na utilização de ferramentas tecnológicas como apoio educacional e  propuseram-se a formar e capacitar professores em exercício.  A necessidade de capacitar e formar os professores surge como mais prioritária  quando levamos em consideração o  Censo escolar de 2003: dos  1.022.133 professores em exercício na  1ª. a 4ª. séries, apenas 319.312 (31,23%) têm o ensino superior completo. Outro fator é que 24.620 (2,4%) dos professores atuantes têm apenas o ensino fundamental (INEP/MEC, 2004).

           

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2. A SOCIEDADE BRASILEIRA E OS PROCESSOS DE APRENDIZAGEM SOB A INFLUÊNCIA DA TECNOLOGIA.

 

 Uma comunidade virtual não é menos real de que qualquer outra comunidade

T.COELHO

 

 

 

A sociedade está se inovando a cada dia, desde as formas de organizar-se, de produzir bens, de comercializá-los, de se divertir, de ensinar e de aprender.

Desde a década de 90, com a utilização em grande escala dos microcomputadores, passamos por uma verdadeira revolução tecnológica, descreve Marquesi (1998). Os desafios impostos pela rápida evolução destas novas tecnologias e sua inserção em todos ramos da atividade humana somam-se às contradições sociais. 

(...) Para fazer frente a essas mudanças, não basta a modernização desse sistema nem a simples adoção de programas, técnicas e estratégias de ensino. É preciso uma nova pratica pedagógica, que prepare cidadãos  para aprender a aprender (MARQUESI,1998, p.57).

        

Há muito escutamos que já vivemos na  sociedade da informação, do desenvolvimento da comunicação tecnológica. Este caminho nos levou à mídia em geral, passando por fotos, telégrafo, telegrafia sem fio, telefone, telecomunicações, gravação de sons, filmes, rádio, televisão, até os microcomputadores e softwares. Não podemos nos esquecer também dos monitores de TV, as videoconferências, vídeos interativos, treinamento por meio de softwares e treinamento a distância que, com softwares específicos, tentavam auxiliar e criar métodos de ensino via internet ou teleconferência (MATTAR NETO, 2002).  

Chaves (1999) observa que o termo “tecnologia” se refere a tudo que se inventou, tanto artefatos como métodos e técnicas, para estender a capacidade física, sensorial, motora ou mental do homem, facilitando e simplificando o seu trabalho, enriquecendo suas relações interpessoais, ou simplesmente lhe dando prazer.  Para definir o que é a tecnologia, procuramos uma explicação cientifica  colhendo informações em um dicionário:

 

Tecnologia:teoria geral e/ou estudo sistemático sobre técnicas, processos, métodos, meios e instrumentos de um ou mais ofícios ou domínios da atividade humana. A origem da palavra tecnologia, na sua etimologia, está na palavra grega tekhnología, que significa: “tratado ou dissertação sobre uma arte, exposição das regras de uma arte”, pois é formada a partir do radical grego tekhno que vem de tékhné que significa: “arte, artesania, indústria, ciência” e do radical grego -logía que vem de logos, que significa: “linguagem, proposição” (HAUAISS, p. 334, 2001).

 

 

Definindo tecnologia, sentimos a necessidade de entender o significado de “arte”: habilidade ou disposição dirigida para a execução de uma finalidade prática ou teórica, realizada de forma consciente, controlada e racional, ou definida como “conjunto de meios e procedimentos através dos quais é possível a obtenção de finalidades práticas ou a produção de objetos; técnica”.

As técnicas são formas,  jeitos ou  habilidades especiais em lidar com cada tipo de tecnologia, que encontramos ao executar nossas atividades cotidianas, lidando com vários equipamentos, produtos e serviços originados da tecnologia (KENSKI, 2003). Algumas dessas técnicas são simples e de fácil aprendizado, transmitidas de geração para geração e se incorporam aos costumes e hábitos sociais de um determinado grupo de pessoas.

Para Imbernon (2001), o professor não deve ser apenas um técnico, mas um profissional que desenvolve, implementa inovações, participando ativamente e criticamente do processo de inovação e mudança, transformando-se em um agente dinâmico cultural, social e curricular, que possa tomar decisões educativas e elaborar projetos com os colegas controlado pelo coletivo.

As inovações sempre se basearam na tecnologia, e é comum imaginarmos apenas objetos que são vistos à nossa volta, tendo maior predominância os objetos eletrônicos. Além disso, essas respostas trazem uma indicação de que tecnologia é coisa recente, que é uma característica da sociedade inovadora.

Rios (2002) complementa que a “sociedade moderna” implica em lançar-se à  razão instrumental e tecnológica, que valoriza antes de mais nada apenas a razão como elemento explicador e transformador do mundo. Se escolhermos apenas a razão podemos cometer um grave erro, pois na maioria das vezes pensamos em um único e exclusivo movimento de transmissão, que termina quando a coisa que se transmite é recebida. Ensinar vai além disso, é necessário um processo permanente de atualização e continuidade, que vai além do transmitir:

 

Por intermédio do gesto ensinar, o professor, na relação com seus alunos, proporciona a eles, num exercício de mediação, o encontro com a realidade, considerando o saber que já possuem e procurando articula-lo a novos saberes e práticas” (RIOS, 2002,pp.52).   

 

A arte de ensinar é complexa, mas pode se transformar em oportunidade para ampliar o conhecimento de estudantes e educadores:

Alunos assumem papéis mais ou menos ativos durante o processo de aprendizagem(...) uma boa proposta pedagógica oferecerá aos estudantes oportunidades e possibilidades de converter-se ativamente em protagonistas de seus próprios processos de aprendizagem (LITWIN,1997,p. 25).   

 

Acreditamos que uma das formas de colaboração para ampliar o conhecimento poderia vir da realização de processos de aprendizagem com tecnologia, de acordo com Pais (2003), gerando uma melhoria nas condições de acesso à informação, minimizando as restrições de tempo e de espaço, permitindo agilizar a comunicação entre professores, alunos e instituições.

A teoria e a prática de ensino apareceriam como elementos fundamentais para o trabalho do docente, ensina Rios (2002),  devendo ser entendidas como prática de contribuição ao desenvolvimento do trabalho no ensino. Paralelamente,  Behrens (1996) relata que há muito se fala em desenvolver nos alunos a habilidade de “aprender a aprender”, e que não se trata de um novo meio de ensinar, mas de propor que alunos e professores passem a ter produção própria, desenvolvendo a criatividade e a inovação.

Para a autora, o “aprender a aprender” se fundamenta na busca da autonomia de professores e alunos impulsionados pelo ato de refletir e criticar as suas próprias experiências e delas extrair conhecimentos.  Neste processo, o professor não existe para explicar a matéria, mas somente para mostrar quais são os caminhos e como dominar os temas propostos, e, para que isso ocorra,  o aluno deve passar a ver o professor como um pesquisador, um motivador, o qual se tornaria um parceiro na construção dos conhecimentos, acabando com o ponto de terminalidade na escola.

Silva (2001) descreve que a tecnologia poderia auxiliar na melhoria da transmissão de informações, permitindo ao aluno a interação, o desenvolvimento de atividades, a criação e acompanhamento,  diferentes dos ritmos monótonos e repetitivos das salas de aulas dos professores tradicionalistas.  Ao definir tradicionalista deve se ater à situação de uma classe de professores que segue os padrões em sala de aula tal como identificados abaixo:

Identificada como ritmo monótono e repetitivo  associado ao perfil de um aluno que permanece demasiado tempo inerte, olhando para o quadro , ouvindo récitas , copiando e prestando contas (...) falar e ditar do mestre(SILVA,2001, p 21).

 

O estudo apresentado por Petito (2003) analisou a diferença entre a sala de aula tradicional e aquela  com tecnologia, e em especial quanto ao uso da internet, aplicando a tabela de comparativos de Garcia e Cortelazzo visando descrever quais foram as  mudanças que ocorreram nas formas de aulas, antes e após a utilização dos recursos tecnológicos aplicados na Escola do Futuro da Universidade de São Paulo (USP). 

Tabela 2 – Comparativo entre uma situação no ensino tradicional e com o uso de novas tecnologias na educação.

 

Na educação tradicional

Com a nova tecnologia

O professor

Um especialista

Um facilitador

O aluno

Um receptor passivo

Um colaborador ativo

A ênfase educacional

Memorização de fatos

Pensamento crítico

O método de ensino

Repetição

Interação

O acesso ao conhecimento

Limitado ao conteúdo

Sem limites

 

A tabela 2 aparentemente demonstra as mudanças ocorridas quando deixamos de utilizar o ensino do modo tradicional e passamos ao ensino com tecnologia. Porém, deve-se levar em consideração que tais mudanças não ocorrem imediatamente, sendo necessários inúmeros fatores para utilizar corretamente a tecnologia como ferramenta de apoio pedagógico.

Para que ocorram essas mudanças deveria ser levado em consideração o que realmente a escola pretende na utilização desses recursos, definindo-se qual é o percurso didático a ser  implementado  e qual é a metodologia a ser adotada.

Não há como falar de professores facilitadores quando os mesmos não detêm o domínio da ferramenta que irão aplicar aos seus alunos; para tanto eles precisam estar devidamente capacitados e dotados de domínio sobre o recurso.

A essas mudanças adicionam-se outros elementos: o contexto da estrutura física, da facilitação e colaboração do acesso aos laboratórios pela direção e coordenação, e de um projeto de utilização de informática coerente, dos quais este trabalho tratará em  itens posteriores .

Sandholtz (1997) adverte que, mesmo após essas mudanças, a possibilidade e a facilidade de se estabelecer relações em questão de segundos por intermédio das redes eletrônicas geram riscos de massificação e de homogeneidade abrigando “equívocos culturais”. Neste sentido, cabe observar que algumas  empresas de cunho tecnológico fornecem programas ditos de  “formações virtuais” que, ao serem aplicados nos microcomputadores, sem qualquer acompanhamento pelos professores,  visam à redução de custos, à certificação desleal e ao lucro,   transmitindo unicamente as informações sem preocupação com o  conhecimento.

Freire (1996)   já afirmava que é necessário criar possibilidades para que o aluno encaminhe sua própria produção, construção e desenvolvimento. A estes atos, aplica-se constantemente a vivência das salas de aula, através do professor e do aluno, numa situação de abertura às curiosidades, às perguntas e  às inibições, construindo o conhecimento.

Mas, para desenvolver a construção de conhecimentos, Moran (2000) adverte que precisamos nos envolver nos processos de aprendizagem, que podem estar em cada coisa que fazemos, cada pessoa, ou idéia que vemos, ouvimos, sentimos, tocamos, experimentamos, lemos, compartilhamos e sonhamos. Para tanto é necessário colaborar para que professores e alunos, nas escolas e organizações, transformem suas vidas em processos permanentes de aprendizagem.

Notadamente Petito (2003) enfatiza que apenas a tecnologia ou fornecer o acesso à comunicação através dela não garantem a aquisição de conhecimentos. A construção de conhecimentos é obtida a partir de fontes de informação vivenciadas, passando por experiências empíricas, da leitura e da escrita, pela rapidez da oralidade, pela  reflexão individual, pelo debate coletivo e pela expansão do uso do microcomputador, que pela rede mundial de informações (internet), cuja extensão, serve de interface para mediar várias fontes tradicionais, pois nela encontramos, textos, espaços para comunicação direta, reflexões com os mais variados níveis de racionalidade.

Pais (2003) acrescenta que os recursos tecnológicos constituem um meio  importante para a obtenção de informações, sendo estas entendidas  como matéria prima para a elaboração do conhecimento.

Segundo Valente (2003), Piaget já afirmava que todo conhecimento é uma construção, uma interação, que apresenta um aspecto de elaboração do novo. Não existe conhecimento resultante do simples registro de observações e informações, ou seja, não basta visualizar, é necessário construir, pensar e desenvolver conceitos permanentemente. O conhecimento procede de ações que se generalizam por aplicação a novos objetos gerando um esquema, uma espécie de conceito prático.

Além disso, há uma percepção clara das diferenças e especificidades dos saberes e práticas. Não no sentido de afastá-los uns dos outros ou de isolá-los, mas de realizar um trabalho coletivo e interdisciplinar que vai além de juntar simplesmente as matérias, mas sim,  falar em um corpo docente, como um coletivo organizado, atuante, buscando um ensino de boa qualidade, sinônimo de atuação competente dos docentes (Rios, 2002).

Para Alarcão (2002) na sociedade da informação, que é aberta e global, a  diferença do acesso às informações  poderia se tornar em meio de exclusão social. Ela se caracterizaria pela complexidade e contradição, pois somos inundados de informações e não sabemos lidar com elas e nem mesmo selecioná-las, o que é uma situação prejudicial aos que não desenvolveram o espírito crítico, pois aceitariam tudo que lhes é oferecido, sendo manipulados pelos que detêm o conhecimento.

 

Há muito se fala das dificuldades sócio-econômicas, que são conhecidas principalmente pela crise que abrange o mundo globalizado neste momento, que vai desde os significados da vida humana, das relações entre as pessoas, instituições até as comunidades. Rios (2002) cita que se efetivamente vive e vivemos em uma crise, é necessário lembrar que devemos considerar  que a idéia de crise aponta para duas perspectivas: a de perigo e  a  de oportunidade.  Nesse sentido, mesmos nestes momentos de crises, não podemos esperar os acontecimentos para buscar o novo.

As novas tecnologias computacionais podem enriquecer a mediação pedagógica e gerar oportunidades para a mudança do paradigma educacional relacionado à aprendizagem. Mas é preciso lembrar que somente informações acabam envelhecendo facilmente e que todo o conhecimento é provisório, pois, em se tratando de educação, nada é permanente ou totalmente acabado. Não há como ignorar a tecnologia, seu papel na sociedade ou o que se passa no mundo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

3. AS MUDANÇAS NECESSÁRIAS PARA UTILIZAÇÃO DE INFORMÁTICA NO ENSINO

 

“Que fique claro que não quero dizer que o uso de tecnologias mais avançadas melhore o conteúdo de um texto”

Carlos Drummond de Andrade

 

A tecnologia sempre afetou o homem, segundo Dotta (2002), desde as primeiras ferramentas, por vezes consideradas a extensão do corpo, passando pela maquina a vapor, que mudou hábitos e instituições, até chegar ao microcomputador, que trouxe novas e profundas mudanças sociais e culturais.

É importante ressaltar que, para provocar ou viabilizar essas mudanças que vão além do  apenas “informatizar” conhecido pelos  métodos tradicionais de instrução, seria necessário deixar de lado o  instrucionismo, passando  a utilizar  o  construcionismo, que  enriquece os ambientes de aprendizagem com a tecnologia,  interage  e proporciona a chance de construir o  conhecimento (VALENTE,2002).

Ao procurar identificar as necessidades para a utilização da tecnologia como ferramenta pedagógica nas escolas, serão apresentados, nos próximos itens, aquelas básicas para o envolvimento tecnológico no processo ensino- aprendizagem:  a estrutura física, a participação da administração, a influência das tecnologias no processo ensino-aprendizagem , a mudança esperada dos educadores,  e, finalmente, a  capacitação continuada.

 

 

3.1. A ESTRUTURA FÍSICA DAS ESCOLAS

 

A reorganização física dos prédios das escolas deveria ser tratada como ponto importante para que se inicie o envolvimento tecnológico, pois sem a infra-estrutura física aparentemente encontraríamos dificuldade no acesso a esses recursos. Na maioria dos projetos de implementação da tecnologia,  são criados laboratórios de informática,  rede de acesso aos dados e o acesso à rede de pesquisas (internet).

 Segundo Moran(2000)  é necessário ter atenção quanto às estruturas físicas, à facilidade de acesso aos laboratórios, a torná-los mais acessíveis e organizados, a criação de salas de aula mais funcionais, e até mesmo à disponibilização de conexões a redes locais em cada sala,ou em diversos pontos da escola,  permitindo assim que professores e alunos desenvolvam pesquisas em diversos pontos da escola, utilizando os micros disponíveis ou seus próprios notebooks.

Paralelamente, caminhamos para formas de gestão menos centralizadas, mais flexíveis e integradas; para isso seria necessário ter estruturas mais enxutas,  trabalhando mais sinergicamente, concentrando uma maior participação dos professores, alunos, pais e  comunidades gerenciando  atividades e proporcionando os rumos de cada instituição escolar, com a finalidade de obter uma maior integração, um acesso facilitado e garantia da qualidade da educação (MORAN, 2000).

A melhoria do espaço físico das escolas poderia ser facilitada se fossem bem planejadas. Escolas eficazes não são necessariamente grandes, mas sim aquelas que utilizam de forma criativa o seu espaço, transformando-os em ambientes especiais para a leitura, para as representações, ou até mesmo para o convívio da comunidade (LUCK, 2000).

Para o mesmo autor, uma grande parte dessas melhorias do espaço físico das escolas já ocorreu em escolas onde houve a participação da comunidade.   

Mas não basta às escolas ter simplesmente a posse de microcomputadores e softwares para o uso em atividades de ensino, acrescenta Kenski (2003); é preciso também que esses microcomputadores estejam interligados e em condições de acessar a Internet e todos os demais sistemas e serviços disponíveis nas redes, multiplicando assim as possibilidades educativas. É necessário adequar a tecnologia ao alcance das expectativas de seu uso: telecomunicações, por exemplo, facilitam a coleta de dados e o acesso às informações da escola; o áudio-visual favorece a apresentação explicativa e ilustrativa do real; e a  informática pode colaborar para classificação, seleção e simulação de situações.

Ao adequar o uso das tecnologias, Valente (2002) e Kenski (2003), apresentam uma sugestão iniciando um trabalho coletivo: alunos, professores, especialistas, diretores e comunidades de pais, para que juntos, em um processo de construção, criem uma equipe própria na escola, que, ao analisar a base tecnológica disponível (equipamentos e mídias), tome as decisões quanto à escolha de ser ou não conveniente o uso de informática aplicada à educação, e ainda sugira possíveis adequações no projeto pedagógico, contando com o apoio de universidades ou de especialistas externos para assessoramento e suporte técnico voltado à tecnologia. Kenski (2003) complementa que, em conjunto, poderiam também analisar os problemas relativos ás cargas horárias, hoje constituídas de “aulas” de 50 ou 100 minutos, e aqueles ocasionados por turmas grandes de alunos. Notadamente nessas condições, o uso do microcomputador e da Internet no curto tempo da “aula” e para um número excessivo de alunos é totalmente inviável.

Para a autora, seria interessante que cada instituição de ensino orientasse no seu próprio projeto pedagógico a relevância a ser dada quanto ao uso da tecnologia aplicada na educação, envolvendo professores, coordenadores pedagógicos e diretores que, atráves de reuniões permanentes, provocassem atualizações nestes projetos, buscando acompanhar e melhorar todas as dificuldades  encontradas no processo.

O projeto pedagógico aparentemente é o modo de ser e de fazer da escola.  O clima escolar positivo na escola como um todo envolveria alunos, professores, direção e equipe técnico-pedagógica, e estes, orientados para a superação dos desafios,  certamente desenvolveriam comportamentos importantíssimos aos alunos (LUCK,2000).

A existência ou não de locais de concentração e de circulação de alunos e professores, as cores das paredes, a distribuição dos ambientes dentro do espaço escolar projetam-se diretamente na produção e no estímulo dos que ali convivem. Kenski (2002) observa que esses fatores refletem-se na disposição para trabalhar e estudar e na própria qualidade do ensino e podem vir a definir a ação pedagógica. Para a autora, o ambiente poderia  influenciar no processo de aprendizagem do aluno, e as instalações condicionariam a integração da comunidade acadêmica com sua produção e pesquisa. O conjunto escola, alunos e comunidade é a aura da escola.

 

 

3.2. A PARTICIPAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO ESCOLAR NO CONTEXTO TECNÓLOGICO

 

 

 

Para Sandholtz (1997), os principais problemas encontrados nas escolas quanto à utilização das tecnologias são a falta de acesso, apoio técnico inadequado, tempo insuficiente para aprendizagem e planejamento. O envolvimento da direção e da coordenação nos cursos de capacitação auxiliam na disseminação da idéia de utilização da tecnologia como ferramenta de apoio no ensino-aprendizagem. Além de freqüentarem os cursos de capacitação em informática na educação, é de vital importância que os professores estejam dispostos a colaborar nos aspectos de diminuição aos problemas de acesso à tecnologia, providenciando apoio técnico necessário, mostrando  interesse pelo assunto e pelos projetos que venham a surgir com uso da informática, e finalmente proporcionando tempo de aprendizagem aos professores.

 

As mudanças na educação dependem também de termos administrativos, esperando que  os dirigentes da instituição entendam todas as dimensões que estão envolvidas no processo educacional, dando apoio aos professores, equilibrando o gerenciamento empresarial, tecnológico e o humano, e finalmente contribuindo para que haja um ambiente de maior inovação, intercâmbio e comunicação na escola (Moran, 2000).

 

Possivelmente com essas mudanças, diretores e coordenadores passariam a procurar formas de tornar viável o acesso freqüente e personalizado de professores e alunos às novas tecnologias, sendo imprescindível que haja: laboratórios bem equipados; salas conectadas à internet e salas adequadas para pesquisa, que seja facilitado a aquisição de microcomputadores por meio de financiamentos públicos, privados, com juros baixos e com o apoio de organizações não governamentais.

 

 

3.3. A INFLUÊNCIA TECNOLÓGICA NA ESCOLA

 

A evolução social do homem confunde-se com as tecnologias desenvolvidas e empregadas em cada época, enfatiza Kenski (2003). Historicamente, passamos pelos avanços tecnológicos fundamentados na idade da pedra, do ferro, do ouro e do tratamento da informação, gerando avanços científicos e ampliando o conhecimento sobre esses recursos cada vez mais sofisticados. Paralelamente, ao assumir o uso de tecnologias nas escolas, precisamos requerer que as estas estejam preparadas para realizar investimentos consideráveis em: equipamentos, qualificação pessoal e sobretudo na viabilização das condições de acesso e de uso dessas maquinas.

Aparentemente, a revolução da informática  e das telecomunicações instiga a uma reflexão crítica sobre a educação no sistema escolar (BEHRENS,1996). A informática e a telemática não podem ser ignoradas; conciliar o ensino com pesquisa e microcomputadores poderia designar novos caminhos para que os estudantes e professores pudessem sentir o desejo de continuar aprendendo como um processo para toda vida.

Marcovitch (1998) descreve que a escola, face à revolução tecnológica, sofre as mesmas influências como qualquer outra organização,ou seja, não há como ignorar ou deixar de aproveitar todos os benefícios tecnológicos proporcionados. Mas é necessário tomar cuidado, pois a grande maioria das organizações procura obter resultados a curto prazo, enquanto as escolas, no decorrer do preparo para a vida, contempla um horizonte mais distante. 

Adverte Silva (2001)  que, diante da pressão dos resultados a curto prazo, muitas escolas utilizaram como marketing que eram “interativas”. Nestas escolas, aparentemente, podem ser encontrados sérios problemas, pois a oferta estava apoiada apenas em ter  microcomputadores, ligados ou não à internet, no uso de softwares ditos interativos e de equipamentos de realidade virtual, que mais funcionam como marketing de tais escolas e de tais produtos do que como um rompimento com a prática comunicacional de seus professores. É preciso enfatizar que o essencial não é a tecnologia mas um novo estilo de pedagogia sustentado pela modalidade comunicacional que supõe participação, bidirecionalidade e multiplicidade de conexões entre os atores envolvidos na construção coletiva dos conhecimentos e da própria comunicação.

De acordo com Bruno (2003), existem dificuldades na construção  coletiva dos conhecimentos, principalmente no que diz respeito ao confronto das expectativas dos sujeitos envolvidos. Trata-se de dificuldades que precisam de condições especiais para serem superadas. O exercício de confrontar as expectativas de cada um dos organizadores do projeto coletivo da escola implica tornar público o desejo de um princípio, de uma convicção, exigindo um desprendimento com relação ao próprio desejo, desenvolvendo a idéia de que algo que era de uma pessoa agora é também de muitos e poderá ser transformada.

A internet, como por exemplo, poderia ser utilizada como facilitadora no ato de compartilhar conhecimentos e o contato entre educadores e alunos. Para Carvalho (2000), é importante que a instituição de ensino disponibilize também a professores e alunos serviços permanentes de informação, acessíveis através das telecomunicações também a alunos egressos, proporcionando interatividade entre componentes da rede, sejam institucionais, ou individuais. Assim seria possível ter-se no futuro o acesso de profissionais e de organizações de serviços que já participaram da instituição, podendo opinar e auxiliar no apoio ao docente.

Kenski (2003) faz notar que também a articulação entre as escolas e outras instituições (como bibliotecas, museus, arquivos etc.) poderia ser realizada através do uso das telecomunicações e da informática, podendo proporcionar contatos com pessoas, grupos e associações regionais. Por serem espaços de intervenção, realização de atividades integradas e coletivas.

 

 

3.4. A PARTICIPAÇÃO DOS EDUCADORES

 

Barbosa (2002)  ensina que o novo educador é um profissional em constante mudança, passando a ser o  intermediário entre o conhecimento acumulado e o interesse e a necessidade do aluno. Nessa perspectiva, o autor aponta que, segundo Perrenoud, é necessário que o uso da tecnologia seja uma competência do professor, de modo que ele atinja uma atitude desafiadora e assuma uma postura de aprendiz ativo, crítico e criativo.

Para Perrenoud (2000), a  escola não pode ignorar  as novas tecnologias de informação e da comunicação  que afetam o mundo, pois estas transformar as maneiras de  comunicar, de trabalhar, de decidir e de pensar. Para ele, o professor necessita utilizar os aplicativos para explorar todas as potencialidades didáticas dos programas de computador em relação aos objetivos do ensino, adicionando-se as formas de comunicação à distância por meio da telemática e as ferramentas multimídia no ensino.

 

Os avanços das ciências e das tecnologias fazem com que a educação assuma um caráter de  recomeço da renovação sempre, pois possui papel de transformar criticamente a realidade por meio da construção e disseminação do conhecimento. A colocação do microcomputador na sala de aula não garante um ensino inovador crítico e transformador: A sociedade do conhecimento exige  dos professores e dos alunos autonomia e produção própria, baseado na modernidade, analisando a proposição metodológica do “aprender a ensinar” (BEHRENS,1996).

O desafio de “aprender a ensinar” é acoplado à habilidade ou ao atributo indispensável ao professor que, aqui, muito mais do que um portador de conhecimento, deverá ter um papel de gerenciador da circulação e da construção  deste conhecimento, assim como o de um orientador da aprendizagem (Carvalho, 2000).

Para um professor não é possível separar as dimensões pessoais e profissionais; e, para Fazenda (1995), essas dimensões são a forma pela qual cada um vive a profissão de professor, tão ou mais importante do que as técnicas que aplicam ou os conhecimentos que transmitem; os professores constroem sua identidade por referência aos saberes (práticos e teóricos), mas também por um conjunto de valores.

A tecnologia pode auxiliar, mas para que seu uso seja efetivo é necessário que os professores estejam preparados ou capacitados. Atualmente o educador cria, organiza e promove o ambiente tecnológico através de atividades que facilitam o processo de ensino-aprendizagem, fornecendo recursos para que o aluno desenvolva ao máximo o processo de aprender. Weiss (2001), em sua pesquisa, descreve que há professores que resistem ao trabalho realizado no laboratório de informática, não querem se envolver, e que, mesmo quando aceitam o trabalho, acreditam que este é independente das atividades curriculares, delimitam o uso como reforço, enquanto outros procuram os laboratórios para realizar um trabalho integrado, inserindo-se em projetos, de modo que a sua função passa de apenas “lecionar a incentivar os demais professores”.

Outro ponto a ser incluído nesta reflexão diz respeito à formação do professor. Simplesmente ter um curso superior na área de educação e participar das matérias de informática na faculdade, quando estas existem no curriculo, não garantem em nenhum momento que estes professores estão prontos para realizar as tarefas de ensino de informática na educação, lembra Carvalho (2000). Daí a necessidade de um processo permanente de capacitação, monitoramento e estruturas de apoio docente, onde possam ser desenvolvidas as dimensões técnico-didáticas (campo cientifico especifico), pedagógicas (campo das teorias e práticas educacionais) e tecnológicas (campo das novas tecnologias).

Ao professor cabe o papel de facilitar, supervisionar,  ser consultor do aluno no processo de resolver o seu problema, e não somente o de transmitir simplesmente informação ao aluno;o professor deverá se concentrar em propiciar ao aluno a chance de construir o próprio conhecimento, convertendo a enorme quantidade de informação adquirida, em conhecimento aplicável na resolução de problemas de seu interesse.  Ao trabalhar nesta construção de conhecimentos, é necessário conhecer seu aluno, incentivando a reflexão e a crítica e permitindo que ele passe a identificar , os próprios problemas em sua formação, buscando soluções para os mesmos (VALENTE, 2002).

 

Para Moreira (1994), a questão da qualificação e da carreira docente sempre precisou ser repensada e tratada com base em uma perspectiva mais aberta, flexível. São necessários docentes qualificados, recursos tecnológicos, clima intelectual sério e responsável caracterizando o cotidiano do trabalho acadêmico. É necessário a valorização da atuação desse professor, ou seja, é preciso que os governos e os sistemas de ensino invistam tanto na sua formação contínuada (incluindo a sua capacitação),  quanto na promoção de condições adequadas de trabalho. Segundo Moran (2000), este investimento transforma o professor no gerenciador do processo de  aprendizagem, coordenando todo o andamento no ritmo adequado, sendo o gestor das diferenças e das convergências do contexto de sua prática.

Kenski (2003) observa que o professor precisa ter consciência de que sua ação profissional competente não será substituída pelas máquinas, mas ampliada no seu campo de atuação para além da sala de aula. Nesta perspectiva, o professor passa a ser um incansável pesquisador, um profissional que se constrói a cada dia, que aceita os desafios e a imprevisibilidade da época para se aprimorar cada vez mais, gerando melhorias de desempenho tanto para si próprio quanto para os alunos.

Ao buscar a ampliação nos campos de atuação, Pais (2002) alerta que as tecnologias apontam para a busca do trabalho coletivo, passando da sala de aula e caminhando para a escola como um todo, tomando cuidado, de desenvolver atividades que estejam definidas no projeto pedagógico, evitando fugir do estudo proposto em questão. Se olharmos para o ambiente da internet, poderíamos perder facilmente o contato com o objetivo do estudo devido a grande diversidade proposta.

Ao professor cabe assumir o papel de mediador e promotor deste novo processo de aprendizagem, conforme Marquesi (1998), procurando criar ambientes interdisciplinares, propondo desafios e explorações que possam conduzir a descobertas, utilizando desta forma os recursos do microcomputador no sentido de articular informações com conhecimentos adquiridos para a construção de novos conhecimentos, ou seja, professores e alunos  tornam-se aprendizes e mestres de sua própria educação, participantes de um processo que envolve os aspectos social, afetivo e cognitivo.

Além disso, Kenski (2003) destaca que não é possível pensar na prática docente sem pensar na pessoa do professor e em sua formação, que não se dá apenas durante os cursos de formação mas durante todo o caminho profissional, dentro e fora da sala de aula. A diferença didática não está no uso ou não-uso das novas tecnologias, mas na compreensão das suas possibilidades, sabendo efetuar escolhas conscientes sobre as formas mais adequadas ao ensino, optando ou não pelo uso da tecnologia.

 

 

3.5. A CAPACITAÇÃO/FORMAÇÃO DE PROFESSORES  E AS METODOLOGIAS DE INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO

 

Devido á velocidade de renovação do saber e do fazer, baseados em tecnologia, Oliveira (2002) e Dotta (2002) descrevem que a maior parte dos conhecimentos adquiridos por uma pessoa no inicio de sua formação profissional será obsoleta ao iniciar a sua carreira.  A nova sociedade baseada na informação insere na educação o desafio de formar continuamente indivíduos capazes de interagir com as tecnologias e de  apropriar-se delas.

Belloni (2001) afirma que promover a formação contínua dos professores é um dever da sociedade e do estado,  tanto para atender às necessidades do sistema econômico, quanto para oferecer ao indivíduo oportunidades de desenvolver suas competências como trabalhador e cidadão, capaz de viver na sociedade.    Sendo assim, transformar a formação inicial em formação ao longo da vida seria o único caminho para alcançar ou manter-se em condições de competitividade em nível individual ou nacional, numa economia globalizada altamente tecnológica.

Valente (1993) ensina que poderíamos dividir em duas partes a informática educacional: uma em que o microcomputador assume o papel de ensinar e a abordagem educacional consiste na instrução auxiliada pelo microcomputador, substituindo-se o papel ou livro pelo mesmo, dotado de programas que podem ser tutoriais ou exercícios/prática com base na simulação ou jogos educacionais, e outra, em que o professor utiliza-se de ferramentas computacionais para auxiliar o processo pedagógico de ensino-aprendizagem.

Os cursos de formação continuada em tecnologia, segundo Moraes (2002), devem levar os professores a vivenciar  situações nas quais a informática deva ser utilizada como recurso educacional, entendendo o significado da tecnologia, o seu papel como educador e determinando qual  metodologia melhor  se aplica ao seu trabalho. Complementa que o fator mais importante na formação do profissional é a aquisição de conhecimentos e, neste momento, o professor deve estar preparado para:

usar a informática com seu(s) aluno(s), observar as dificuldades do aluno frente a máquina, intervir e auxiliar o aluno a superar dificuldades, diagnosticar potencias e problemas do aluno afim de promover os potenciais e superar os problemas. (p. 201)

 

As aplicações pedagógicas de utilização de microcomputadores se realizam sob abordagens             que se situam entre dois grandes pólos: Instrucionista, demonstrado na figura 1, e o Construcionista, descrito na figura 2.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Figura1. A metodologia do Instrucionismo

 

Almeida (2000) ensina que o instrucionismo utilizou o microcomputador para desenvolver a instrução programada; o conteúdo  ensinado seria  subdividido em módulos, estruturados de forma lógica, de acordo com a perspectiva pedagógica de quem  planejou a elaboração do material instrucional. No final de cada módulo, o aluno deveria efetuar uma pergunta ou uma avaliação que o levaria ao módulo seguinte caso as respostas estivessem corretas; em caso contrário ele deveria retornar ao mesmo módulo até que obtivesse sucesso. 

Complementando, o mesmo autor descreve que a atuação do professor no ensino instrucionista não exigiria muito preparo, pois ele teria apenas de selecionar o  software de acordo com o conteúdo previsto, propondo as atividades para os alunos e acompanhando-os durante a exploração do mesmo. O microcomputador funcionaria como uma máquina de ensinar otimizada, e o software como um produto acabado, ensinado conforme a estrutura do pensamento de quem o elaborou.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Figura2. A metodologia do Construcionismo

 

 

Uma outra aplicação pedagógica é o construcionismo,  que, segundo Gómez (2004),  diz que o papel do educador se representa em função da necessidade de estimular processos cognitivos dos estudantes, os quais por sua vez, assumem o papel ativo em virtude  desse desenvolvimento. Cabe aos educadores experimentar novas formas conscientes e reflexionistas sobre as diversas formas de aprender de seus alunos, muito particularmente dos mecanismos.

Uma das formas dos professores utilizarem o ambiente construcionista, segundo Rocha (2003), seria desenvolver, construir, aplicar, refletir e depurar o conhecimento utilizando o microcomputador na escola.

Almeida (2000) sugere que  as formas de emprego do microcomputador como ferramenta educacional propiciam ao aluno a construção de conhecimentos a partir de suas próprias ações (físicas e mentais); isto pode ocorrer através do uso de aplicativos como o processador de texto, a planilha eletrônica, o gerenciador de banco de dados, ou mesmo através de uma linguagem de  programação que favoreça a aprendizagem ativa; ou quando o aluno interage com o microcomputador desenvolvendo atividades de pesquisa.

Weiss (2004) complementa que, no construcionismo, o professor é um facilitador, com o objetivo de enriquecer o ambiente, provocando  situações para que o aprendiz possa se desenvolver de forma ativa, realizando também suas próprias descobertas, ao invés de somente assimilar conhecimentos prontos, baseados na memorização.

Paralelamente, há uma confusão na forma de aplicar os métodos construcionistas. Em muitos casos, os professores utilizam os métodos tradicionais, trabalhando com o microcomputador com  softwares organizados para seguir de acordo com a capacidade do aluno. Esses programas, do modo seqüenciado de  perguntas e respostas, que avançam em níveis e retornam quando há erro, não podem ser tratados como construcionistas, pois somente ocorre a interação com o aluno, sem instigá-lo a refletir  e a desenvolver o seu processo mental (VALENTE, 1993).

 

Oliveira (1997) questiona qual seria a melhor maneira de dotar o professor dos conhecimentos necessários ao uso frente à tecnologia. Segundo o autor,  um modelo ideal de capacitação a ser seguido consiste naquele, promovendo as atitudes de desmistificação do uso do microcomputador, diminui a resistência à informática e quebra o ceticismo em relação às contribuições do microcomputador na educação, o que pode ser conseguido  através de debates e seminários.  Também é recomendável que cada país, a exemplo do Brasil,  pesquise formas próprias de formação dos professores ao invés de simplesmente importar soluções encontradas em outras culturas.

Os cursos de formação e capacitação docentes podem levar a mudanças substanciais no meio educacional desde que desenvolvidos em conjunto com a prática pedagógica realizada na escola. Adiciona-se a essas mudanças o desenvolvimento de trabalhos coletivos a fim de contribuir para a profissionalização dos professores (BEHRENS,1996).

Jonassen (1996),  descreve em  seu estudo que seria necessário separar os tipos de aprendizagem  relacionada ao uso da tecnologia em quatro classes :

1. Aprender a partir da tecnologia (learning from), em que a tecnologia apresenta o conhecimento e o papel do aluno é receber esse conhecimento, como se ele fosse apresentado pelo próprio professor;

2. Aprender acerca da tecnologia (learning about), em que a própria tecnologia é objeto de aprendizagem;

3. Aprender através da tecnologia (learnin by), em que o aluno aprende ensinando o microcomputador (programando o microcomputador através de linguagens como BASIC ou o LOGO);

4. Aprender com a tecnologia (learning with), em que o aluno aprende usando as tecnologias como ferramentas que o apóiam no processo de reflexão e de construção do conhecimento (ferramentas cognitivas). Nesse caso, a questão determinante não é a tecnologia em si mesma, mas a forma de encarar essa mesma tecnologia, usando-a, sobretudo, como estratégia cognitiva de aprendizagem.

Essas classes de aprendizagens em tecnologias podem ser adotadas aos cursos de capacitação como referências para que os cursos de capacitação, direcionando a metodologia a ser empregada.

Para Kenski (2003), todas as formas de interação proporcionadas pelos microcomputadores, principalmente os ligados à internet, geram transformações explícitas no comportamento dos seus usuários:

As mídias, como tecnologias de comunicação e de informação, invadem o cotidiano das pessoas e passam a fazer parte dele. Para seus freqüentes usuários, não são mais vistas como tecnologias, mas como complementos, como companhias, como continuação de espaço de vida (p. 25)

 

Diz Kenski que, pelo que é transmitido pela televisão ou acessado pelo microcomputador, as  pessoas se comunicam, adquirem informações e transformam comportamentos, tornando-se “teledependentes” ou “webdependentes”, consumidoras ativas, permanentes e sem críticas do universo da mídia. O grande desafio para a escola é viabilizar um espaço crítico em relação ao uso e à apropriação dessas tecnologia de comunicação e informação reconhecendo sua importância e sua interferência no modo de agir e ser das pessoas e na própria maneira de se comportarem diante do grupo social. 

Valente (2003) destaca que os alunos somente devem acessar a internet se dispuserem um projeto pedagógico, pois teriam assim o acompanhamento do professor e seriam orientados sobre a maneira correta de utilizar a informação. Estas preocupações somam-se ao fato de os alunos acessarem as informações sobre algo que o professor solicitou e simplesmente imprimirem, sem critério ou seleção, deixando para ler mais tarde aquilo que foi impresso/obtido, até mesmo após a devolução do professor.

Litwin (1997) destaca que os materiais escritos tem um papel fundamental, seja através das clássicas propostas dos impressos (papéis), ou através das produções mais sofisticadas que permitem integração em programas, sendo que professores e alunos não podem se ater exclusivamente apenas ao virtual. Uma pesquisa de um trabalho não deve se ater somente ao conteúdo proposto na disciplina e para que essas informações possam ser compreendidas e explicadas, devem identificar a construção de conhecimentos, desenvolvendo atividades e projetos sob a orientação dos professores.

 

é necessário realizar uma correta seleção bibliográfica ... e assegurar que os materiais de leitura selecionados para um curso respeitem certos critérios básicos; por exemplo, que sejam centrais à relação e conteúdos da disciplina referida; que sejam acessíveis e legíveis em termos das possibilidades de compreensão dos alunos ...(LITWIN,1997 p 77)

 

 

É necessário ter cautela ao criar os cursos de capacitação, pois em alguns casos estes são falhos :

 Consideram que preparar professores é instruí-los sobre o uso das máquinas – o conhecimento superficial do hardware e dos softwares industrializados disponíveis – em cursos de curta duração, para o adestramento tecnológico, ou mesmo em séries de cursos para a aquisição da fluência digital. Consideram também que é suficiente o simples treinamento para a utilização dos principais programas: processadores de textos, programas básicos do Office e softwares educativos.( KENSKI,2003,p.77)

 

Capacitar professores  apenas quanto ao uso de aplicativos, ou preparar para trabalhar com a máquina, sem qualquer envolvimento pedagógico, pode gerar a insatisfação de ambas as partes (professores e alunos) e um sentimento de impossibilidade de uso da tecnologia.

Para não correr riscos, um curso de capacitação, segundo Valente (2003), deveria seguir os  seguintes pontos fundamentais:

-Propiciar ao professor condições para entender o microcomputador como uma nova maneira de representar o conhecimento, provocando um redimensionamento dos conceitos já conhecidos e possibilitando a busca e compreensão de novas idéias e valores;

-Propiciar ao professor a vivência de uma experiência que contextualiza o conhecimento que ele constrói ;

-Prover condições para o professor construir conhecimentos sobre as técnicas computacionais, entender por que e como integrar o microcomputador em sua prática pedagógica e ser capaz de superar as barreiras de ordem administrativas e pedagógicas;

-Criar condições para que o professor saiba recontextualizar o que foi aprendido e a experiência vivida durante a formação para a sua realidade de sala de aula, compatibilizando o que se dispõe a atingir (p 3).

 

 

Com isso, o autor expressa a sua concordância de que a formação não pode se restringir apenas à passagem de informações sobre o uso pedagógico da informática. Ela deve oferecer aos professores condições de construir o conhecimento sobre técnicas computacionais e entender o porque e como integrar o microcomputador em sua prática pedagógica no contexto de trabalho dos alunos. Essa atividade requer o acompanhamento e o assessoramento inicial do professor por um especialista presencial ou à distância, alguém que já tenha vivenciado essas atividades de uso da informática na educação e possa auxiliar o professor com suas atividades diárias, entendendo o que ele faz  e  propondo novos desafios, até que o mesmo esteja apto para seguir sozinho.

 

Rocha (2002) ressalta que as mudanças podem ser propostas em um curso de capacitação, contemplando ações  que podem acontecer simultaneamente: a primeira, em que o professor aprenda a desenvolver uma tarefa usando o microcomputador, podendo, nesta fase, refletir sobre o próprio processo de aprendizagem, ler e discutir textos relativos à base psico-pedagógica da metodologia construcionista; a segunda, no uso de microcomputadores com os alunos, propiciando aos professores a experiência de como usar o microcomputador com os alunos, tornando o professor o facilitador do processo e o aluno um usuário, podendo ser trabalhada a observação da forma de aprendizagem dos alunos; e a terceira, elaborando um projeto pedagógico, onde cada professor elabora um projeto de trabalho em que descreve como pretende utilizar o microcomputador na sua respectiva disciplina, podendo isso ser discutido no curso e aplicado posteriormente em uma escola.

Portanto, não basta treinar, é necessário acompanhar propondo novos desafios, e auxiliar o professor  na atribuição de significados para aquilo que está realizando, principalmente na construção de novos conhecimentos. Valente (1991) descreve:

a experiência tem mostrado que formar um professor que seja capaz de usar a informática como recurso do ensino aprendizagem, não significa adicionar ao seu conhecimento as técnicas ou conhecimentos de informática. É necessário que ele domine o microcomputador afim de integrá-lo à sua disciplina. (p.3-4)

 

Para o mesmo autor, o domínio dos usos do microcomputador não ocorre imediatamente, mas requer tempo e diferentes formas de assimilação pelo profissional e das técnicas que podem transformar a informática em uma verdadeira ferramenta educacional, e, ainda, que ele se sinta confortável e não ameaçado pela tecnologia.

 

É importante, nesta altura, esclarecer os fundamentos metodológicos escolhidos e adotados para a confecção dessa investigação, a investigação realizada com os professores (em capacitação tecnológica) foi “montada” e idealizada tendo em vista a possibilidade de verificação das atitudes desses professores no desenrolar do processo, de modo a permitir que os dados reunidos com a revisão bibliográfica pudessem ser testados e comprovados.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CAPITULO II

 

METODOLOGIA

 

1.                 PROBLEMA DE PESQUISA E OBJETIVOS

 

A Tecnologia na Educação requer um olhar mais abrangente, envolvendo novas formas de ensinar e de aprender condizentes com o paradigma da sociedade do conhecimento, o qual se caracteriza pelos princípios da diversidade, da integração e da complexidade. Esta diversidade baseada nos princípios que privilegiam a construção do conhecimento, o aprendizado significativo, interdisciplinar e integrador do pensamento racional, estético, ético e humanista, requer dos profissionais de ensino novas competências para desenvolver uma pedagogia relacional: isto implica criar e recriar estratégias e situações de aprendizagem que possam tornar-se significativas para o aprendiz, sem perder de vista o foco da intencionalidade educacional.

Por outro lado, não se pode deixar de conhecer e de tratar as questões específicas destas possibilidades e suas inter-relações. Este nível de compreensão é que dá mobilidade para o profissional lidar com o inusitado de forma criativa, reflexiva, crítica e construtiva, rompendo com isso a aplicação de soluções prontas ou práticas padronizadas. Tais soluções e práticas não encontram eco no paradigma atual, no qual se torna evidente a necessidade de integração entre a gestão administrativa e a gestão da sala de aula, dos recursos tecnológicos e das áreas de conhecimento.

O pensamento exigido precisa considerar o movimento e a articulação entre o individual e o coletivo, parte e todo, processo e produto, teoria e prática, ensino e aprendizagem.

Por isso, a formação continuada do professor tem sido colocada como um fator importante que pode contribuir para a mudança do curso da história e promover a articulação escola-sociedade, resguardando a complexa tarefa social reservada à educação: transformar criticamente a realidade por meio da construção e disseminação do conhecimento.

A partir das observações apresentadas no capítulo I e considerando os aspectos relacionados à implementação do  curso de capacitação em informática na instituição em estudo, configura-se a seguinte pergunta:  Qual é o papel de um curso de capacitação em informática para professores na formação continuada dos mesmos?

Buscando promover respostas para essa pergunta, a presente pesquisa/presente trabalho propôs-se como objetivo principal discutir as formas/maneiras/modos pelas quais um cursos de capacitação em informática pode auxiliar no processo de formação continuada de professores.

Com base neste objetivo principal, alguns objetivos específicos foram estabelecidos:

·                                Traçar um perfil dos professores participantes de um curso de capacitação em informática ;

·                                Identificar se ocorreram mudanças no uso dos laboratórios de informática  das escolas  onde os professores participantes  do curso de capacitação ministram aulas;

·                                Verificar se ocorreram mudanças na percepção dos professores  sobre o uso de informática na educação;

·                                Identificar os pontos positivos e negativos apontados pelos professores no uso da informática como apoio na educação; 

·                                Avaliar a importância do uso de informática na educação, na percepção dos professores participantes do curso de capacitação em informática.

 

 

 

 

 

 

 

 

2.                 SUJEITOS

 

 

Os sujeitos desse estudo foram professores do Ensino Fundamental de diversas escolas da rede municipal de educação de uma cidade do interior do estado de São Paulo, que participaram do curso de Capacitação em Informática, realizado por uma instituição pública municipal de Ensino Superior.

 Esse estudo foi realizado com uma amostra de conveniência, constituída por professores que lecionavam nas séries iniciais de 1ª. a 4ª. série, que freqüentaram o curso de capacitação em informática e também pela capacitadora responsável por esse curso. Num primeiro momento, a amostra foi constituída por 44 professores, e, num segundo momento, por 33 professores.

Antes do preenchimento dos instrumentos de coleta de dados, os professores foram questionados sobre a disponibilidade e concordância para serem sujeitos  desse projeto. Também a capacitadora apresentou a sua concordância antes da entrevista.

 

 

3.                 INFRA-ESTRUTURA DA INSTITUIÇÃO

 

 

A Instituição responsável pelo curso de capacitação em informática foi convidada pela Secretaria de Educação do  Município para oferecê-lo.

Esta Instituição desenvolve há mais de 12 anos trabalhos de formação de profissionais em informática; possui um pessoal altamente qualificado e capacitado; uma infra-estrutura física adequada que conta com 4 laboratórios de informática equipados com 25 microcomputadores, sendo possível acessar a  internet, utilizar softwares aplicativos e linguagens de programação; dispõe de apoio de técnicos qualificados em Software e Hardware para acompanhamento das aulas.

O município encaminhou uma solicitação à Instituição de Ensino, indicando que o curso seria oferecido a todos os professores, coordenadores pedagógicos e diretores que atuavam na rede Municipal de Ensino (15 escolas), que contava com laboratórios de informática, ligados em rede e com acesso à internet. O propósito do curso seria capacitar os professores para a utilização da informática como ferramenta de apoio no ensino.

A proposta da Instituição de Ensino Superior objetivava capacitar os professores interessados buscando a sua inserção no ambiente tecnológico, utilizando microcomputadores e softwares como ferramentas de apoio no processo de ensino-aprendizagem. A carga horária atribuída para esse curso foi de 81 horas, distribuídas em três horas semanais.

O curso foi teórico-prático e o  conteúdo programático do curso foi composto por: introdução à  informática; os principais meios de utilização dos softwares na educação;  conhecimentos básicos do sistema operacional Windows; incentivo à  pesquisa buscando acesso à Internet; domínio e desenvolvimento de conceitos para a elaboração de atividades de educação embasado nos softwares aplicativos: Word,  Excel e PowerPoint. Na parte prática,  os participantes do curso desenvolveram uma atividade em que elaboraram uma aula com os princípios construcionistas e aplicaram a seus alunos na escola em que lecionavam e, posteriormente,  se reuniram em um seminário para mostrar os resultados obtidos.

Buscando compreender quais seriam as vantagens em utilizar aplicativos (Word, Excel e PowerPoint) no processo ensino-aprendizagem, Bettega (2004) defende que: 

Programas de editoração de texto(Word): ao utilizar os programas de editoração de texto(Word) com os alunos, desenvolvemos habilidades lingüísticas, podendo desenvolver atividades de criação de relatórios, palavras cruzadas, cartões, livros e jornais.

Programas de Planilhas eletrônicas(Excel):  além de realizar cálculos de forma rápida a partir de dados informados, podem ser trabalhados conceitos de organização de dados, classificação e filtragem de informações, também podem ser trabalhadas a checagem de valores de cálculos matemáticos.

Programa de apresentação (PowerPoint): É destinado a elaborar apresentações de palestras e aulas, costumam ser bem aceitos pelos alunos, pois estes podem mostrar seus trabalhos no próprio microcomputador sem a necessidade de entregá-los impressos.

Pesquisa na Internet: permite a busca e o intercâmbio de informações nas mais diversas áreas, desenvolvendo no aluno a oportunidade de comunicar-se com muitos receptores, trocar informações, desenvolver o senso crítico e contribuir para aprimorar e facilitar o trabalho de interpretação e estudo dinâmico de outras línguas.

Aos participantes do curso, foram distribuídos como materiais de apoio didático: uma apostila de Windows; três apostilas com funções básicas dos aplicativos Word, Excel e Powerpoint; um cd contendo diversos programas educacionais; figuras; sons e filmes. Para agilizar o contato do professor com o capacitador foi utilizado o e-mail.

O correio eletrônico (e-mail) foi utilizado como recurso docente, o qual de acordo com Moran (2000) possibilita a troca de informações e imagens com todos os integrantes de um curso, ou de um grupo de pesquisa. A comunicação passa a ser constante, podendo ser realizada a qualquer horário, dia ou prazo.

Paralelamente, sugerem Leite e Silva (2000) que se devem se levar em conta, nos cursos de capacitação, que, ao ensinar o uso de acesso a redes, em especial a internet, existem resultados promissores, bem como alguns problemas:  a função do professor deve ser a de facilitador, orientador e mentor, que apóia as atividades dos alunos, e para isto ele deve estar previamente capacitado; o ensino via rede exige muita atenção do professor, pois os alunos tendem a se dispersar na exploração de informações; a motivação dos alunos é maior devido à novidade e à enorme quantidade de informações disponíveis, e pode terminar quando acabar essa “novidade”; é preciso deter maior habilidade para fazer pesquisas na rede, pois as informações variam muito em termos de qualidade e utilidade, sendo que constantemente são modificadas; novas formas de comunicação estão surgindo devido à utilização de novas tecnologias na rede, o que conduz ao pensamento de atualização permanente; a cooperação, a pesquisa em grupo e a troca de resultados são ampliadas com o uso das redes.

 

 

4. MATERIAL E MÉTODOS

 

 

Como foi anteriormente mencionado, foi apresentado, no primeiro dia de aula um questionário (apresentado no Anexo A), cuja finalidade era obter a caracterização dos participantes no curso de capacitação em tecnologia.  Ele incluía  perguntas referentes a dados pessoais, profissionais, e algumas questões específicas como nível de conhecimento em relação ao microcomputador, quanto ao uso de softwares computacionais e à utilização do microcomputador no contexto educacional.

Após iniciar o processo de avaliação do primeiro questionário respondido pelos professores, foi percebido que seria importante avaliar a percepção do professor capacitador sobre o uso da informática na educação e sobre os benefícios que o curso traria aos participantes.

Adotou-se neste caso a entrevista presencial semi-estruturada, sendo as respostas do capacitador devidamente gravadas em áudio e posteriormente transcritas na íntegra pelo pesquisador, para que a fala do professor-capacitador  fosse analisada.  As perguntas versaram sobre:

·              a formação do capacitador;

·              o curso de informática que o capacitador realizou;

·              a opinião do capacitador sobre o uso de informática na educação;

·              o conhecimento do capacitador quanto à literatura a respeito de informática na educação;

·              o planejamento do curso de capacitação de professores;

·              o ponto de vista do capacitador quanto ao papel da Instituição de Ensino Superior como capacitadora de professores para uso de informática na educação;

·              o ponto de vista do capacitador  quanto aos benefícios que o  curso traria aos professores;

Finalmente, buscando compreender quais foram as mudanças operadas aos professores participantes, e entregue a eles, no último dia de aula, um segundo instrumento de pesquisa (um questionário), que se encontra no Anexo B.

Os dois instrumentos  de coleta de dados dos sujeitos participantes eram do tipo “lápis e papel”, sendo que o primeiro questionário foi respondido por 44 professores e o segundo por apenas 33.

 O segundo instrumento foi aplicado a todos os presentes no último dia de aula do curso de capacitação, mas, como no mesmo dia foi proporcionado um seminário relacionado a atividades administrativas, alguns professores não puderam estar presentes.

Os professores receberam o curso de capacitação embasado no construcionismo, tendo como principio que as atividades deveriam desenvolver a construção de ações as quais os alunos pudessem desenvolver atividades o desenvolvimento e a construção de atividades com a utilização da ferramenta tecnológica. As atividades trabalhadas  desenvolvido na prática, utilizando conteúdos fornecidos pelos projetos de formação e capacitação de professores do Mec e de algumas bibliografias de apoio, trabalhando com atividades direcionadas às primeiras series

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CAPITULO III

 

RESULTADOS E DISCUSSÕES

 

 

Após a aplicação dos instrumentos de pesquisa, os dados foram organizados em uma base de dados, utilizando um software estatístico (SPSS, 1995). Para essa análise estatística, foram aplicadas estatísticas descritivas referentes a cada uma das variáveis que delas necessitavam.

 

 

1.                 CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA

 

 

Para caracterizar a amostra foram utilizados os dados de todos os sujeitos, coletados nas duas fases.

Todos os sujeitos que participaram do Curso de Capacitação são do gênero feminino e, quanto ao nível de formação, pode-se  observar que apenas uma professora possuía curso de pós-graduação (2,3%), e a grande maioria dos professores (68,2%) estavam devidamente graduados conforme demonstram os dados da Tabela 3.

 

 

 

 

 

 

 

Tabela 3 Distribuição dos sujeitos quanto à sua formação.

Nível de Formação

Número de sujeitos

Percentual

Não informado

8

18,2

Nível técnico

5

11,4

Graduado

30

68,2

Pós-graduado

1

2,3

Total

44

100,0

 

Tabela 4 Distribuição dos sujeitos segundo o curso de Graduação realizado ou em            

               realização

Graduado em

Número de Sujeitos

Percentual

Não informado

4

9,1

Pedagogia

38

86,4

Normal superior

2

4,5

Total

44

100,0

 

Devido à legislação ser benevolente, encontramos 11,4 % dos professores sem efetuar o curso de Nível Superior e atuando nas salas de aulas. Ferrari (2004) complementa que em julho do 2003 foi homologado pelo governo federal o artigo 62 da LDB- Lei de Diretrizes e Bases, segundo o qual é "admitida, como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental, a educação profissionalizante oferecida em nível médio, na modalidade Normal”, deixando de ser obrigatório o diploma de nível superior.

O mesmo autor complementa que alguns professores insistem em acreditar não precisam ter curso superior para lecionarem na educação infantil e nas primeiras séries do Ensino Fundamental, porque lidam com crianças pequenas, o que tráz prejuízos tanto para crianças quanto para os professores, pois  quanto mais nova é a criança mais ela precisa de um especialista; e para o professor, porque, no mínimo, terá problemas de  baixa remuneração devido a não ter formação universitária.

No caso desta pesquisa, porém, s dados Tabela 4 indicam que os pesquisados parecem conscientes desta situação e 86,4% freqüentaram o curso de pedagogia.

 

Conforme os dados apresentados na Tabela 5, a grande maioria dos professores (87,9%) leciona apenas nos níveis de 1a.a 4a. séries, o que caracteriza realmente que os professores presentes neste curso de capacitação eram das séries iniciais.

 

Tabela 5  Distribuição dos sujeitos quanto à classe em que leciona

Publico alvo que leciona

Número de sujeitos

Percentual

1ª a 4ª.séries

29

87,9

 

Educação Jovens e Adultos

 

2

 

6,1

Não respondeu

 

2

 

6,1

Total

33

100,0

* O numero de sujeitos da Tabela 5, deve ser levado em conta que estavam presentes apenas 33 professores pois os demais estavam participando de outro curso por se tratar do último dia de aula letivo.

 

Ao buscar a importância da informática destinada ao uso nas séries iniciais de 1ª. a 4ª. série, é preciso deixar claro aos participantes os objetivos de um curso de capacitação, pois,  como sugere  Zacharias (2003),  muitas escolas implantaram  a computação a qualquer custo para sobreviver à concorrência, e acabaram fazendo sem clareza de seus objetivos, sem professores capacitados, sem infra-estrutura adequada, ou ainda acabaram utilizando o serviço de terceiros, que dispunham apenas de infra-estrutura e de conhecimento da informática, mas pouco conheciam do processo de aprendizado das crianças desta faixa de idade.  Infelizmente, o que vemos nestas escolas são crianças na "aula de computação" colorindo desenhos prontos na tela do microcomputador como os antigos mimeografados, utilizando joguinhos que as punem quando não acertam a atividade em um determinado número de vezes, deixando-as por exemplo, sem saber o fim da história; repetindo incontáveis vezes um movimento com o mouse, quando ainda não tem o controle motor necessário dado o seu estágio de desenvolvimento.

Um curso de capacitação deve atentar para um tipo de advertência e procurar apresentar em suas propostas pedagógicas subsídios para que os professores apliquem a informática com seus alunos da forma mais coerente, planejando e buscando atividades em que as crianças passem a trabalhar com jogos ou qualquer outro tipo de software que lhes permitam aprofundar, desenvolver ou até mesmo iniciar a construção de seus conhecimentos, inseridos em contextos que respeitem o seu processo de desenvolvimento (faixa etária)  e em consonância com os objetivos próprios da escola de educação infantil (ZACHARIAS, 2003).

 

Analisando os dados da Tabela 6, percebe-se que o maior percentual (63,6%) é de professores polivalentes, que trabalham com conteúdos de várias disciplinas na mesma sala de aula, o que é uma característica da forma de trabalho das séries iniciais.

 

Tabela 6 Distribuição dos participantes quanto a matéria que lecionam nas

               escolas.

Matéria que leciona

Número de Sujeitos

Percentual

Não informado

13

29,5

Matemática

1

2,3

Português

2

4,5

Polivalente

28

63,6

Total

44

100,0

 

Mello(2000) sugere que o professor polivalente deve dominar a Língua Portuguesa, a Matemática, a Informática e as linguagens de expressão artística, pelo menos no mesmo grau previsto para os egressos da última etapa da educação básica. Deve ser capaz de empregar as linguagens como recurso de auto-aprendizagem e de utilizá-las na sua atividade docente, como meio de comunicação com o aluno e como recurso capaz de ajudar este último, dentro de sua área de especialidade, a organizar cognitivamente a realidade, construir o conhecimento e negociá-lo com os outros.

Como citado anteriormente, o curso de Capacitação em Informática foi oferecido aos professores, coordenadores e diretores, e neste sentido buscamos  verificar quais foram os profissionais que participaram do curso e que exerciam em acúmulo cargos administrativos. Estes professores em específico atuam em sala de aula quatro horas diárias e posteriormente desenvolvem as atividades de vice direção e coordenação pedagógica, os quais  estão indicados na Tabela 7.

 

 

 

 

 

Tabela 7 Distribuição dos profissionais  que exercem cargos

               administrativos:

Respostas

Número de sujeitos

Percentual

Nenhum

24

72,7

Vice Direção

2

6,1

Coordenação Pedagógica

7

21,2

Total

33

100,0

 

Em relação aos cargos administrativos, os dados mostram que a grande maioria (72,7%)  dos participantes não acumulavam cargos; ou seja, 31 professores participantes do curso atuavam em salas de aula e quando perguntamos à professora capacitadora sobre os coordenadores, ela respondeu:

 

C: Eles trabalham quatro horas como coordenadores e as outras quatro eles lecionam na sala de aula.

 

 

         Como foi descrito anteriormente, é importante que ocorra o envolvimento da direção e  coordenação nos cursos de capacitação, pois, assim, poderiam juntos adequar as decisões quanto à escolha de ser ou não conveniente o uso de informática aplicada na educação em determinadas atividades.

 

Tabela 8 Distribuição dos sujeitos quanto a possuírem microcomputadores

               em casa

Respostas

Número de sujeitos

Percentual

Sim

33

75,0

Não

11

25,0

Total

44

100,0

 

         Pela análise dos dados da Tabela 8, pode ser verificado que a maioria dos professores possuem microcomputador em casa (75,0%); Destes 23 professores responderam que o microcomputador é utilizado pela família (marido ou filhos), conforme mostra a Tabela 9, ou seja, pode-se supor que,  apesar de possuirem micros em suas casas, os professores não faziam uso dessa tecnologia.

 

Tabela 9 Distribuição da utilização dos microcomputadores em casa

Respostas

Número de sujeitos

Percentual

Eu

10

30,3

Família

23

69,7

Total

33

100,0

 

Quando se perguntou à capacitadora sobre possíveis razões porque os professores pareciam não utilizar os microcomputadores, ela respondeu que eles mencionaram em dois problemas: o primeiro, o medo da tecnologia e o segundo, a dificuldade de utilizar o equipamento.

O medo de utilizar microcomputadores foi discutido em estudo proposto por Valente (2003), que chegou à conclusão de que, na realidade, muitos não utilizam os micros por não conhecerem as potencialidades dos mesmos. Guimarães (2004) complementa a esse “medo” adiciona a expectativa do professor que acredita que a introdução do microcomputador na sala de aula poderia dispensar a sua presença.

Quanto à dificuldade do uso do microcomputador, a professora-capacitadora relatou que, além de todas as aulas serem ministradas na prática no laboratório de informática, neste curso de capacitação trabalhou-se o acompanhamento relacionado a problemas  individuais (dificuldade de digitação, coordenação motora), e que, na grande maioria dos casos,  hoje estão sanados.

Observando a Tabela 10, que descreve se os professores que participaram do curso de capacitação já haviam realizado algum curso de informática anterior a este, apenas em relação ao conhecimento de Windows não obtivemos diferença significativa, indicando que a proporção de professores que já realizou  cursos é equivalente à proporção de professores que não  realizou.

 

 

 

 

 

 

 

Tabela 10 Distribuição dos sujeitos quanto aos cursos de informática já realizados

Respostas

Não Respondeu

Participou

Não Participou

Total

Windows

0

(0 %)

19

(43,2 %)

25

(56,8 %)

44

(100 %)

Word

4

(9,1 %)

15

(34,1 %)

25

(56,8 %)

44

(100 %)

Excel

6

(13,7 %)

10

(22,7 %)

28

(63,6 %)

44

(100 %)

Power Point

9

(20,5 %)

6

(13,6 %)

29

(65,9 %)

44

(100 %)

Internet

8

(18,2 %)

5

(11,4 %)

31

(70,4 %)

44

(100 %)

 

Analisando-se as repostas dos professores que participaram do curso de capacitação em informática, mostrados na Tabela 10, pode ser verificado que antes do Curso de Capacitação 19 sujeitos haviam participado e do curso de Windows, enquanto que 25 sujeitos ainda não haviam participado; 15 sujeitos já haviam participado de cursos com o aplicativo Word, mas 25 ainda não; no que diz respeito ao aplicativo Excel,10 participantes haviam participado de um curso antes, enquanto que 28 não haviam participado; dos entrevistados, apenas 6  haviam participado do curso do aplicativo PowerPoint antes do curso de capacitação, enquanto que 29 não; finalizando a análise, percebemos que  somente 5 pessoas haviam participado de um curso de Internet antes do curso de capacitação enquanto que, dos entrevistados, 31 sujeitos não haviam participado de um curso sobre o uso da  Internet.

Por outro lado, ter participado apenas de um curso de informática não significa que o professor já se encontraria apto a ministrar aulas no laboratório, conforme observa Ferreira (2003),  pois em muitos cursos de treinamento em informática a forma adotada é o adestramento de seus participantes, sem qualquer envolvimento educacional, utilizando-se apenas a transmissão de informações das ferramentas a serem utilizadas.

 

 

Perguntado aos professores participantes do curso de capacitação, se estes acreditavam que a tecnologia poderia  auxiliar os alunos em sua aprendizagem, 100% dos professores respondeu de forma afirmativa,indicando que todos são favoráveis à utilização de informática.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2.                 A INFLUÊNCIA DO CURSO DE CAPACITAÇÃO EM INFORMÁTICA NAS ADMINISTRAÇÕES DAS ESCOLAS

        

Considerando que os professores participaram de um curso de informática na educação com o propósito de utilizar a informática com seus alunos em suas escolas, nos laboratórios de informática, conforme descrito anteriormente, objetivamos  analisar quais foram as mudanças ocorridas durante o curso.

 

Tabela 11 Distribuição dos sujeitos sobre a existência de laboratórios de

                 Informática em suas escolas

Respostas

Número de respostas

 

Antes

 

Após

Não informado

3

(6,8%)

0

 

Sim

37

(84,1%)

33

(100,0%)

Não

4

(9,1%)

0

(0%)

Total

44

100%

33

100%

 

                    

Com a análise dos dados da Tabela 11, percebe-se que a grande maioria dos professores que participaram do curso responderam que tinham laboratórios de Informática em suas escolas: antes do curso de capacitação (84,1%) e após o curso de capacitação (todos os entrevistados responderam afirmativamente);   porém,  não podemos afirmar que houve mudanças em relação à aquisição de novos laboratórios, uma vez que o número de sujeitos apresentados ao final (33) foi inferior ao do primeiro instrumento coletado(44).

No estudo proposto por Oliveira (2001), foi possível identificar que os laboratórios de informática constituem-se em excelente material de apoio tanto para pesquisas como para a produção de novos conceitos. Contudo, deve-se tomar cuidado para que sua utilização não se torne apenas uma forma diferente de se buscar e receber informações. Complementa o mesmo autor que a utilização do laboratório de informática, além de ser aproveitada na disciplina, deve ser estimulada juntamente com outros recursos tecnológicos audiovisuais como televisão, videocassete, projetores de slides, retroprojetores, gravações musicais entre outros, de forma que estes passem a fazer parte da nova cultura de todos os envolvidos no processo.

 

Tabela 12 Distribuição dos sujeitos quanto ao fornecimento de micros

                 específicos  pela escola para uso dos professores.

Respostas

Número de respostas

Antes

Após

Não informado

3

(7,5%)

0

(0%)

Sim

4

(10,0%)

4

(12,1%)

Não

33

(82,5%)

29

(87,9%)

Total

44

(100,0%)

33

(100,0%)

 

Analisando-se a Tabela 12, verifica-se que apenas quatro professores informaram nos dois momentos da investigação que tem a sua disposição micros na escola onde lecionam. A Tabela 13 mostra que, dos quatro professores que informaram que tinham micros à sua disposição, estes se encontravam assim distribuídos: dois micros na sala dos professores; um microcomputador na sala de leitura e o último na secretaria.

 

Tabela 13 Distribuição dos Sujeitos, indicando onde ficam os micros

                 disponíveis para uso dos professores.

Respostas

Numero de respostas

Percentual

Sala de professores

2

50,0

Sala de Leitura

1

25,0

Secretaria

1

25,0

Total

4

100,0

 

Ao analisar a importância de ter equipamentos à disposição dos professores, os dados descritos na Tabela 14 indicam que 30,3% acham importante e a grande maioria (69,7%) acredita ser muito importante, o que conduz a verificar que todos os professores que não os têm à sua disposição acreditam na sua importância para facilitar o acesso à tecnologia.

 

Tabela 14 Distribuição da importância em relação a ter micros em

escolas que não  os possuem.

Respostas

Número de respostas

Percentual

Muito importante

23

69,7

Importante

10

30,3

Total

33

100,0

 

O fato da grande maioria dos professores que participaram desta pesquisa considerar importante  ter micros a disposição exclusiva dos professores pode ser percebido no inicio do curso, conforme as próprias palavras da professora-capacitadora:

 

C: os professores reclamaram da dificuldade de elaborar os trabalhos. É que alguns não tem micro em casa, e quando vão utilizar na escola, nem sempre os laboratórios estão disponíveis... por diversas vezes, escutei os professores falando que se tivesse um micro só pra eles, seria mais rápido e melhor.

 

Como foi discutido anteriormente, um curso de capacitação deve envolver pessoas da administração, objetivando facilitar o acesso aos laboratórios, e, nesse caso, provavelmente os professores poderiam utilizar os micros de seus próprios laboratórios.

É possível concluir para a  grande maioria dos professores participantes do curso de capacitação em informática, que não possuem micros específicos à sua disposição, acreditam que os mesmos sejam necessários para facilitar a elaboração dos seus trabalhos, e que os cursos de capacitação podem auxiliar na facilitação do acesso aos laboratórios, proporcionando condições para utilização dessas salas já disponíveis em suas escolas, evitando assim um novo investimento financeiro e aproveitando ainda mais os recursos tecnológicos já disponíveis.

A Tabela 15 revela que 84,1% dos professores contam com bibliotecas nas escolas onde lecionam. Também é importante observar que nessas escolas, todos os professores pesquisados, afirmaram conhecer a biblioteca.

 

 

 

Tabela 15 Distribuição das respostas sobre a existência de biblioteca

                 na escola

Respostas

Número de repostas

Percentual

Sim

37

84,1

Não

7

15,9

Total

44

100,0

 

Behrens (1996) ensina que a biblioteca tem função prioritária no complemento do ensino e o seu papel é o de permitir a ampliação dos estudos e das pesquisas, não se limitando ao conhecimentos construídos e desenvolvidos na sala de aula.

 

 

Por outro lado, quanto à tecnologia disponível nas bibliotecas, os dados da Tabela 16, indicam que em 59,5 % delas não existem micros.

 

Tabela 16 Distribuição das respostas sobre a existência de micros nas  

                 bibliotecas.

Respostas

Número de respostas

Percentual

Sim

15

40,5

Não

22

59,5

Total

37

100,0

 

Como já foi mencionado citando Kenski (2003), a biblioteca pode servir de fator para gerar a articulação entre as escolas e outras instituições (como  pesquisas de bibliotecas, museus,  arquivos e outros). Mas para isso, seria necessário a existência de micros, e estes conectados a internet.

Sá Filho (2003) complementa que,  na biblioteca convencional, os livros podem ser lidos e examinados. Neste caso, usa-se a mente humana para localizar e comparar conteúdos nos livros, constituindo uma tarefa que pode ser demorada. Por outro lado, a tecnologia pode armazenar todos os livros de uma biblioteca e usá-los em um programa de busca que  aponte relações entre os conceitos descritos nos livros. Além de armazenar, podem  ser criadas  formas de acesso através de mídias ou de páginas da Internet, multiplicando e propiciando um maior acesso a essa base de informação.Isto sugere, que além do micro na biblioteca, os programas de acesso a informação devem ser interessantes e facilitar as buscas.

              As bibliotecas não se tornam virtuais nem digitais apenas por contar com um microcomputador com alguns recursos à sua disposição; outros fatores são necessários  para que essa transformação ocorra, mas, segundo Santos (2003) a biblioteca informátizada tem o objetivo de acrescentar outras opções de acesso às informações registradas. Para o autor, a transformação dos livros impressos em eletrônicos é algo esperado, da mesma forma que as bibliotecas tradicionais devem passar a ser digitais, virtuais e eletrônicas gradativamente.

              Outro ponto importante, diz respeito à possibilidade dos micros das bibliotecas serem  disponibilizados também aos professores para o desenvolvimento das matérias, criando-se mais um local de facilitação do acesso à tecnologia.

 

                               Tabela 17 Distribuição das respostas sobre a utilização dos micros

                                             nas bibliotecas. 

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